Controle de Pragas na lavoura e a qualidade da pulverização

Por Wagner Justiniano, Representante de Desenvolvimento de Mercado, Bayer em 14/06/2022 15:06:22

A aplicação de defensivos é fundamental para o controle de pragas na lavoura, sejam plantas daninhas, insetos ou doenças e assim proteger o potencial produtivo da semente plantada. Esse manejo fitossanitário é iniciado antes mesmo do plantio; no geral, se começa por uma dessecação, seguida por outras de inseticidas, fungicidas e herbicidas de acordo com o monitoramento, ou seja, quando o nível de controle ou dano é atingido.

Passo a passo da Operação de pulverização da Lavoura

Além da escolha dos produtos certos, existem algumas práticas que podem melhorar a qualidade da operação de pulverização da lavoura – e ferramentas de agricultura digital podem ser grandes aliadas nessa busca por mais eficiência.

 

O planejamento para o controle de pragas na lavoura é essencial

A disponibilidade de maquinário pode ser um dos gargalos na operação de pulverização, e por isso ter um bom planejamento para o controle de pragas na lavoura é muito importante. Isso acaba se tornando ainda mais crítico por causa das incertezas, dado que a decisão de aplicar ou não depende também das condições climáticas daquele momento.

Produtor no computador

No geral, esse planejamento logístico das operações começa desde o plantio: o produtor pode escolher começar a plantar os talhões mais próximos da sede para facilitar a calibração e verificação dos equipamentos, por exemplo. Ou pode ser que a priorização seja feita de acordo com a fertilidade: talhões mais férteis, mais bem corrigidos, que produziram mais, normalmente são plantados primeiro – principalmente se existir uma segunda safra. As áreas mais arenosas e talhões marginais acabam sendo plantados depois, porque muitas vezes esses não vão receber a segunda safra.

Se a operação de plantio tiver sido monitorada com algum software de agricultura digital, as datas de plantio de cada talhão – e das operações subsequentes – serão registradas e vão ajudar nesse planejamento. 

 

Como fazer o controle biológico das cigarrinhas

Dessecação correta para começar bem

Quando a semente é plantada no "limpo" – sem a presença de plantas invasoras – ela vai crescer com menos competição por umidade, nutrientes e luz. Além disso, a ausência das plantas daninhas favorece a plantabilidade e a performance da plantadeira.

A dessecação antecipada também auxilia no controle de insetos. Isso porque na ausência de plantas daninhas ou indesejadas, pragas como as lagartas Spodoptera spp. e Helicoverpa armigera migram para outras áreas ou morrem pela falta de plantas hospedeiras. 

Para conseguir esse controle, na safra de verão o ideal é realizar a dessecação 30 dias antes do plantio, tendo a presença de umidade na área. Mas como essa não é uma ciência exata, se a dessecação for feita muito próxima do plantio pode ser necessário monitorar a população de pragas e até mesmo fazer uma associação com aplicação de inseticida. Tudo isso para evitar um ataque à planta logo após a emergência. 

Na dessecação, o controle de tigueras é importante

Naturalmente, não deveria haver plantas tigueras ou voluntárias, provenientes ou mesmo remanescentes da safra anterior. No entanto, não é incomum encontrarmos plantas de milho dentro da cultura da soja, após o plantio da safra. Essas plantas podem aumentar a pressão de seleção de insetos resistentes, além de ser fonte de inóculo para doenças transmitidas por vetores, como a cigarrinha.  

Utilizar herbicidas com mecanismos diversos é extremamente importante para não criar um ambiente propenso ao surgimento de plantas daninhas resistentes, e isso se faz ainda mais necessário quando o produtor tem safra e safrinha e usa materiais com biotecnologia em ambas as culturas. Outra prática que pode auxiliar no controle de plantas tiguera é o uso de cobertura; no cerrado, por exemplo, é comum haver consórcio na segunda safra (milho+ brachiaria) ou plantio de cobertura com milheto, brachiaria ou crotalária depois da principal cultura para manter a umidade e reduzir os patógenos.

Lavoura

Controle de plantas daninhas durante a safra

Após a emergência da cultura – geralmente de 7 a 30 dias após o plantio – ocorre o manejo com herbicida para reduzir plantas daninhas que podem ter emergido depois da dessecação. 

O histórico em relação à presença de plantas daninhas pode ajudar no momento de priorizar onde fazer esse herbicida pós emergente primeiro. Isso porque se um talhão teve maior presença de plantas daninhas em safras passadas ou durante a dessecação, a probabilidade de haver um banco de sementes naquela região é maior. 

Ferramentas de agricultura digital podem auxiliar na hora de registrar esse histórico; no FieldView™ por exemplo, é possível demarcar uma área do talhão, tirar uma foto e fazer anotações para deixar essas informações disponíveis para todos os times da fazenda. Hoje há também a possibilidade de usar imagens – de drones e até mesmo de imagens de satélite processadas – para ajudar a detectar essas áreas onde o controle de plantas daninhas é mais difícil.

Manejo de pragas 

O monitoramento dos insetos-pragas é necessário para uma tomada de decisão baseada em informação. Como já foi dito, esse processo se inicia antes mesmo do estabelecimento da cultura e estende até próximo da colheita.

As cultivares de soja munidas com tecnologia Bt conferem proteção contra as principais lagartas desfolhadoras da cultura, trazendo mais tranquilidade e segurança para o agricultor. No entanto, existe um gama de insetos não alvos da tecnologia Bt em soja que devem ser manejados a fim de mitigar possíveis perdas de produtividade. Dentre esses insetos-praga não alvo, destacam-se as lagartas: Helicoverpa spp.  e do gênero Spodoptera, assim como o complexo de insetos sugadores como percevejos e mosca branca.

A utilização de diferentes estratégias de manejo de pragas como uso de plantas geneticamento modificadas, utilização de refúgio, controle químico, controle biológico – entre outras técnicas – representam as premissas do MIP (Manejo Integrado de Pragas). Esse manejo é fundamental para o sucesso e sustentabilidade da cultura.

Ferramentas de agricultura digital podem auxiliar em diferentes partes desse processo. Hoje há softwares que geram mapas de calor de acordo com a identificação de pragas no talhão, e a pulverização pode ser mapeada e verificada com aplicativos como o FieldView™, por exemplo. 

Controle de doenças 

Entre 28 e 40 dias após o plantio da soja, geralmente é feita a primeira aplicação de fungicida. Nesse momento a linha ainda não está fechada, e essa pulverização pode proteger o baixeiro contra doenças agressivas como a ferrugem. Mais uma vez, se for necessário pode haver inseticida em associação. 

Após o fechamento da linha e em geral de 15 a 20 dias após a primeira aplicação, é feita a segunda aplicação de fungicida. No caso de haver uma estiagem – relativamente comum na região sul, por exemplo – esse intervalo entre aplicações pode ser prolongado. Esse manejo de doenças continua e é feito durante a safra toda.

O Consórcio Anti-ferrugem – grupo do qual a Embrapa participa ativamente – envia alertas locais de presença de ferrugem, e essa também é uma ferramenta que os produtores utilizam para se manterem informados e até mesmo adiantar a aplicação de fungicida na lavoura quando o risco é maior. 

Quais são os principais fatores de impacto na qualidade da aplicação?

Considerando todas as aplicações, na soja no geral o produtor brasileiro faz de 5 a 8 entradas. E para assegurar a qualidade dessas operações, deve-se observar os seguintes fatores: 

Tamanho de gotas

Esse fator está ligado à escolha da ponta, pressão de trabalho, alvo a ser tratado e recomendação de cada produto. Gotas maiores deixam a neblina mais pesada reduzindo a deriva e consequentemente contaminação fora da área a ser tratada, o que é particularmente importante no caso de herbicidas. Para fungicidas, em geral, recomenda-se uma neblina com gotas de tamanho médio, por apresentarem maior penetração no dossel da cultura.

Volume de calda ou taxa de aplicação

A taxa deve estar de acordo com o controle desejado. Se esse volume estiver baixo, pode haver dificuldade em garantir a cobertura ideal. Algo a se considerar também, principalmente para fungicidas, é que a taxa deveria variar de acordo com o estágio da cultura, acompanhando o aumento do índice foliar das plantas. Registrar as taxas de aplicação e ter mapas de aplicação pode ajudar o produtor a detectar possíveis falhas ou volumes diferentes do recomendado.

 

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Condições climáticas

Condições ideais seriam umidade acima de 50%, temperatura abaixo de 30‎°C e velocidade do vento entre 3 e 10km/h. Lembrando que vento zero é um indício de uma possível inversão térmica. 

Altura da barra

É importante, particularmente para produtos que precisam de maior controle da deriva. A distância deve ser de 50 a 60 cm entre a barra e o topo da cultura, ou seja, a altura da barra reflete a distância entre cada uma das pontas na barra (pontas espaçadas a cada 50 cm entre si). 

Velocidade do pulverizador

Quando a máquina se desloca muito rápido (acima de 24km/h), acontece um turbilhonamento atrás da barra, o que pode aumentar a deriva. No FieldView, é possível ver também o mapa de velocidade de aplicação para avaliar a qualidade da operação. 

Inspeções periódicas no pulverizador

Isso é algo que nem sempre é feito, apesar de ser essencial. Uma ponteira desgastada ou entupida, assim como problemas nas peneiras, mangueiras ou bombas pode diminuir muito a eficiência das aplicações e causa problemas na hora de realizar o controle de pragas, doenças e ervas daninhas. 

 

Ao final da safra, é importante ter o registro de todas as aplicações e o mapa de colheita em mãos para otimizar os seus resultados na lavoura. Essas informações podem ser geradas automaticamente e em tempo real com o FieldView™ Drive, mas é possível fazer o processamento dos dados após o término das operações com outros softwares também. Cruzando os mapas de pulverizações e de produtividade, é possível verificar se houve alguma falha, além de avaliar a escolha de produtos e as aplicações para assim continuar produzindo de forma cada vez mais eficiente e sustentável. 

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