O controle de plantas daninhas exige a combinação de métodos de manejo para reduzir a população de invasoras e evitar o desenvolvimento de resistência.
Planta daninha em soja
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As plantas daninhas são espécies vegetais que crescem espontaneamente em áreas cultivadas. Elas competem diretamente com as culturas agrícolas por recursos essenciais e ainda podem servir de abrigo e alimento para diferentes pragas.
Essas invasoras podem provocar danos diretos e indiretos na lavoura. Se o produtor não tomar medidas efetivas para controlar esse problema no tempo certo, poderá registrar queda de produtividade e prejuízos financeiros.
Para evitar esses problemas, ele precisa adotar diferentes métodos de controle de plantas daninhas, como técnicas tradicionais, químicas, biológicas e alternativas.
O uso integrado desses métodos é importante para evitar o desenvolvimento de resistência à herbicidas. A adoção de tecnologias agrícolas também facilita o manejo dessas invasoras, reduzindo os custos de produção e aumentando a produtividade em campo.
Boa leitura!
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As plantas daninhas representam um dos maiores desafios para a agricultura moderna. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), se não forem controladas, podem causar perdas superiores a 90% na produtividade, enquanto infestações moderadas reduzem em média de 13% a 15% a produção de grãos.
Para evitar prejuízos, o produtor precisa investir em métodos eficientes de controle de plantas daninhas. Neste artigo, explicaremos por que isso é importante e quais estratégias utilizar para proteger a lavoura.
O que são plantas daninhas?
As plantas daninhas, também chamadas de ervas daninhas ou plantas invasoras, são espécies vegetais que surgem espontaneamente em áreas cultivadas.
Elas competem diretamente com as culturas agrícolas por recursos essenciais, como luz, água, nutrientes e espaço. Além disso, podem abrigar e alimentar pragas, o que torna seu manejo ainda mais importante.
Quais os principais tipos de ervas daninhas no Brasil?
Diversas espécies de plantas daninhas se destacam por seu comportamento agressivo e pela capacidade de causar prejuízos às lavouras brasileiras. A presença dessas ervas varia conforme a cultura cultivada e a região.
Confira as oito principais espécies que desafiam os produtores:
- Apaga-fogo (Alternanthera ficoidea): nativa do Brasil, pode se enraizar rapidamente. Aparece em culturas como soja, milho, arroz, algodão e cana-de-açúcar;
- Buva (Conyza spp.): muito comum em lavouras de feijão, soja e girassol. Tem biótipos resistentes ao herbicida glifosato, dificultando o controle;
- Capim-amargoso (Digitaria insularis): um dos maiores desafios no cultivo da soja devido à sua resistência ao glifosato. Em pastagens, reduz a qualidade do alimento para os rebanhos;
- Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica): muito resistente a diferentes herbicidas e de difícil controle. Afeta culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar;
- Caruru (Amaranthus viridis): pode reduzir em até 80% a produtividade do milho e da soja. Também afeta café, citros e cana-de-açúcar;
- Corda-de-viola (Ipomoea acuminata): trepadeira que dificulta a colheita mecânica de soja, arroz, milho e trigo. É mais comum nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul;
- Guanxuma (Sida glaziovii): comum em lavouras de cereais cultivadas no sistema de plantio direto. Provoca mais prejuízos em culturas como cana, café e eucalipto;
- Tiririca (Cyperus haspan): considerada uma das mais agressivas do mundo, tem efeito alelopático e é hospedeira de fungos e nematoides.
A importância do controle de plantas daninhas na lavoura
Investir no controle de ervas daninhas é essencial para manter a produtividade e a rentabilidade das lavouras. Afinal, a presença dessas ervas na área de cultivo pode causar diversos problemas ao produtor.
Os danos provocados por essas invasoras podem ser classificados em dois tipos: diretos e indiretos.
Os danos diretos ocorrem quando as plantas daninhas se desenvolvem junto às culturas, especialmente nos estágios iniciais. Isso reduz a disponibilidade de recursos e, consequentemente, a produtividade da lavoura.
Já os danos indiretos estão relacionados a problemas operacionais e a atuação dessas invasoras como hospedeiras de pragas que, posteriormente, atacam as culturas.
Se o produtor não adotar medidas eficazes no momento certo, a produtividade da lavoura pode sofrer uma queda significativa.
O engenheiro agrônomo Diecson Ruy Orsolin da Silva, professor da Universidade Federal de Santa Maria, alerta para os impactos financeiros dessas perdas:
“Elas representam um risco tão significativo para o negócio do produtor que, mesmo quando se adota medidas de controle, temos perdido próximo de 10% da produtividade”, explica Silva.
Por outro lado, o controle eficiente de plantas daninhas traz uma série de benefícios para os produtores rurais. Com medidas preventivas e estratégias de manejo integrado, o produtor pode aumentar a produtividade, melhorar a qualidade dos grãos e reduzir os custos operacionais.
Isso mostra que o controle eficiente dessas ervas invasoras é fundamental para proteger a lavoura, garantir a rentabilidade do produtor e contribuir para uma agricultura sustentável.
Buva infestando área de cultivo de soja (Crédito: Embrapa)
4 métodos de controle de plantas daninhas para aplicar na lavoura
Segundo a Embrapa, existem diversos métodos eficazes para o controle de plantas invasoras, que devem ser integrados para um manejo eficiente desse desafio agrícola. Confira os principais:
Métodos tradicionais
Os métodos tradicionais incluem o controle manual e o mecânico, ambos amplamente utilizados em diferentes tipos de cultivo.
O controle manual é uma das formas mais antigas e simples de manejo. Ele envolve duas técnicas principais: o arranquio (remoção das plantas com as mãos, sem o uso de ferramentas) e a capina (uso de ferramentas como enxadas, enxadões ou sachos).
Já o controle mecânico inclui o uso de técnicas como roçada e o cultivo mecanizado (equipamentos tracionados por animais ou tratores) para remover as ervas do solo.
Método químico
O controle químico de ervas invasoras é feito por meio de herbicidas, substâncias desenvolvidas para eliminar ou inibir o crescimento dessas ervas.
Esses produtos podem ser classificados de acordo com diferentes critérios, como seletividade, translocação e época de aplicação.
Entre essas categorias, a classificação por época de aplicação é uma das mais utilizadas. Nesse caso, os herbicidas são classificados da seguinte forma:
- Pré-emergência (PRÉ): aplicados após o plantio, mas antes da emergência da cultura ou das ervas daninhas. Dependem da umidade do solo para ativar seu efeito;
- Pós-emergência (PÓS): aplicados após a emergência da cultura e das ervas daninhas. São absorvidos principalmente pelas folhas e são eficazes no controle de invasoras em estágios iniciais de crescimento.
A escolha do herbicida ideal depende da espécie da invasora a ser combatida, do estágio da cultura, das condições ambientais e do histórico de resistência da invasora.
Métodos biológicos
O controle biológico é uma estratégia sustentável que utiliza organismos vivos, como insetos, fungos, bactérias e até animais, para reduzir a população de plantas invasoras.
Isso pode ser feito por meio da aplicação de bioherbicidas ou a introdução de agentes de controle (como insetos ou patógenos) capazes de atacar essas ervas.
Métodos alternativos
O manejo de ervas daninhas vai além do uso de herbicidas e métodos mecânicos. A adoção de métodos alternativos é essencial para garantir uma lavoura mais produtiva e sustentável.
Para alcançar esses resultados, o produtor pode investir em práticas integrativas e de controle cultural, como:
- Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD);
- Rotação de culturas;
- Plantas de cobertura (adubação verde);
- Manejo do solo com palha (mulching)/ formação de palhada (cobertura morta);
- Integração Lavoura-Pecuária (ILP).
O desafio de controle de plantas daninhas resistentes
O controle de plantas daninhas resistentes a herbicidas é um dos maiores desafios da agricultura moderna. A resistência ocorre quando as invasoras desenvolvem a capacidade de sobreviver e se reproduzir mesmo após a aplicação de herbicidas que antes eram eficazes.
Isso acontece, principalmente, devido ao uso contínuo e repetido de herbicidas com o mesmo mecanismo de ação. Como resultado, ocorre a seleção natural de biótipos resistentes, que passam a dominar a área cultivada.
Esse fenômeno tem se tornado cada vez mais comum, especialmente com o uso intensivo de herbicidas como o glifosato.
Além de reduzir a eficácia dos herbicidas, o controle de invasoras resistentes aumenta os custos de produção. Sem um manejo diversificado, a infestação dessas ervas aumenta, dificultando o controle e impactando a produtividade.
Para minimizar esse problema, é importante adotar boas práticas de manejo e estratégias integradas, como controle cultural, mecânico e químico.
Tecnologias no combate às plantas daninhas
As tecnologias associadas à agricultura digital e a agricultura de precisão são grandes aliadas do produtor no controle de plantas daninhas. Elas facilitam o monitoramento da lavoura em tempo real, a aplicação de insumos em taxa variável e até a geração de mapas de prescrição personalizados.
Tudo isso é possível com o apoio de recursos como de ferramentas como a Climate FieldView™, plataforma digital da Bayer. Com a ajuda desse software, Patrícia Faria, gerente técnica do Grupo Sementes Vitória em Rio Verde (GO), conseguiu reduzir em 60% o uso de herbicidas no manejo da buva e aumentar a eficiência do manejo.
Esse case comprova que a tecnologia pode otimizar o controle de plantas daninhas e produzir cada vez mais!
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Mapa de Monitoramento da Plataforma FieldView™️ indica variabilidade no desenvolvimento da cultura da soja