Manejo Integrado de Pragas e resistência: qual o papel da biotecnologia?

Por Equipe FieldView™

Apr 10, 2020

com auxilio da biotecnologia areas de refugio ajudam para altos tetos produtivos na cultura de milho

A cada nova safra, os agricultores almejam produzir uma quantidade maior de sacas de grãos por hectare. E o segredo para ter uma produção de qualidade e com bons níveis de produtividade é pensar sempre no melhor trato com a terra e na otimização do uso de recursos. Nesse processo trabalhoso, mas necessário, as técnicas de manejo e o uso de tecnologias podem agregar muito valor para facilitar a vida do produtor rural.

Neste sentido, a biotecnologia é um ponto-chave, que se tornou fundamental para a produção de alimentos em todo o mundo na era da agricultura moderna. O seu uso é decorrente de estudos feitos nos anos 1950, nos Estados Unidos, onde, junto a descobertas, aprofundou-se o foco em como utilizar as características do DNA de organismos vivos na biologia, para diferentes fins.

Décadas mais tarde, esses estudos proporcionaram diversos benefícios para a agricultura, uma vez que o foco estava nos principais desafios do produtor no campo. No caso dos grãos como soja, milho e algodão, a biotecnologia possibilitou o manuseio de genes para obter novas características agronômicas desejáveis, conferindo às plantas tolerância a herbicidas e proteção a algumas das principais pragas, trazendo ao mercado sementes que possibilitaram um manejo mais eficiente e flexível da lavoura.

Mas o uso de biotecnologia por si só não é suficiente. É preciso estabelecer estratégias que fomentem a longevidade de sua eficiência. Entenda mais no decorrer deste post!

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Os benefícios do uso da biotecnologia nas propriedades rurais

Como mencionado, o uso da biotecnologia tem proporcionado muitos avanços no campo. Isso é um fator decisivo para sistemas agrícolas em clima tropical, como é o brasileiro. Nesse contexto, a biotecnologia, aliada à germoplasmas mais avançados e técnicas de manejo adequadas, se insere em um leque de ferramentas e estratégias que ajudaram a aumentar a produtividade e a produção do agronegócio nacional. 

Não por acaso, a produção agrícola do País saltou de 100 milhões de toneladas de grãos na safra 2000/2001 para 251,7 milhões de toneladas esperados ao final da safra 2019/2020, crescimento superior a 150% em apenas 20 anos, de acordo com a série histórica da Conab. É como se um Brasil e meio a mais fosse plantado nesse período, mas sem o crescimento exponencial de área. 

Entretanto, é preciso ressaltar, que apesar dos benefícios da prática agrícola em um clima tropical, em relação a países de clima temperado, os desafios também são maiores. Com o fato de ter alimento disponível quase todo o ano, aliado a chuvas leves e a altas temperaturas que aumentam a taxa metabólica do inseto e sua reprodução, a incidência de pragas na lavoura tende a ser muito grande, assim como a germinação de plantas daninhas.

Por isso, a biotecnologia se mostra como uma grande aliada da agricultura brasileira, possibilitando ao agricultor combinar seu uso com demais técnicas do manejo integrado de pragas e com estratégias que possibilitam um controle efetivo de seus talhões .

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A importância do Manejo Integrado de Pragas (MIP) para a agricultura

Quando pensamos em biotecnologia, é necessário dizer que o desenvolvimento de qualquer produto para o campo tem uma cronologia muito diferente da produção de tecnologias utilizadas em carros ou smartphones, por exemplo. Ao contrário desses segmentos, não é possível apresentar ao mercado uma nova biotecnologia a cada ano, já que, do desenvolvimento de pesquisas ao processo regulatório, requer muito tempo até que possa ser lançada comercialmente.

Só para ter uma ideia, em alguns casos esse fluxo pode demorar mais de 10 anos até o lançamento do produto. Por isso, é muito importante aumentar ao máximo a longevidade de uma nova biotecnologia após a sua chegada ao mercado.

Algumas estratégias podem contribuir neste sentido, visando sempre trazer mais eficiência dos recursos utilizados pelo agricultor na lavoura. Uma delas é o Manejo Integrado de Pragas (MIP), conjunto de práticas que considera a região, a propriedade e a cultura cultivada ao associar os diferentes ambientes de produção com a dinâmica de desenvolvimento populacional de cada espécie de praga.

Entre os pilares que compõem o MIP, estão

  • o monitoramento de pragas,
  • o controle com defensivos químicos e biológicos,
  • o uso das biotecnologias em si,
  • o tratamento de sementes e
  • a dessecação antecipada.
Além disso, em destaque nessa pauta, destaca-se o plantio de áreas de refúgio na propriedade.

As áreas de refúgio: um ativo da produção

De forma prática, ter uma área de refúgio significa reservar um espaço da área de produção para o plantio de sementes sem tecnologia Bt, ao lado do talhão com tecnologia Bt, visando ter sempre insetos suscetíveis ou não resistentes, disponíveis para cruzamento com insetos resistentes à biotecnologia.

areas de refugio que ajudam a potencializar a biotecnologia-1

Isso é importante, uma vez que os descendentes desse cruzamento, sendo suscetíveis, contribuem para manter a frequência sempre baixa dos insetos resistentes, já presentes na natureza. Consequentemente, isso ajuda a manter a biotecnologia em pleno funcionamento. Quando o refúgio não é feito, a incidência de insetos resistentes à biotecnologia aumenta exponencialmente, tornando-a ineficaz.

A especialista Ana Paula Torresan alerta para importância desse manejo na produção. “O grande ponto de atenção é o agricultor não fazer o refúgio e achar que a biotecnologia vai controlar todas as pragas da lavoura eternamente, o que não é verdade”, afirma.

Contudo, para que as áreas de refúgio possam realizar seu trabalho da melhor forma, existem algumas premissas que precisam ser respeitadas. Segundo especialistas, as áreas de refúgio devem ser plantadas a uma distância máxima de 800 metros das áreas com biotecnologia Bt. Além disso o percentual destinado às áreas de refúgio vai variar de acordo com a cultura:

  • No caso de soja e algodão, a recomendação de especialistas é plantar 20% da área total
  • Para o milho, esse número é de 10%.

Por isso,  um papel fundamental é o do agricultor em utilizar corretamente os recursos que estão disponíveis para que ele continue alcançando os tão desejados altos tetos produtivos.

A importância da tecnologia

Outra dica que também pode ajudar o agricultor é a utilização de ferramentas para o acompanhamento mais detalhado da safra. Uma delas é o FieldView™, plataforma de agricultura digital da Bayer, em que é possível realizar prescrições manuais de sementes, para determinar a população de plantas do talhão, levando em conta sua fertilidade. Isso facilita, por exemplo, na definição de quais áreas da fazenda os refúgios devem ser alocados, bem como qual será o híbrido e qual será a taxa de semeadura.

Além disso, através do recebimento de mapas com imagem de satélite, é possível fazer o acompanhamento do desenvolvimento da lavoura em todos os momentos, utilizando-se as funcionalidades e marcações de pontos de interesse no mapa para diferenciar as áreas que foram destinadas ao plantio de milho com e sem biotecnologia Bt.

Esses dados podem ajudar o produtor e seu engenheiro agrônomo a tomar melhores decisões, se planejar com antecedência e otimizar suas interações, poupando tempo, esforço e custos com a fazenda. 

Sabe o que é o FieldView™?

O FieldView™ é uma plataforma de agricultura digital que auxilia o produtor a coletar, visualizar e processar as informações sobre seus talhões, para que a tomada de decisão seja precisa, evitando prejuízos. Curtiu o nosso conteúdo? Deixe seu comentário abaixo, pois a sua opinião é muito importante para nós. E você que utiliza o FieldView™, compartilhe a sua experiência. Para mais dicas, siga as nossas redes sociais (@climatefieldviewbr) 😊

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