Quer um stand inicial de qualidade? Confira 4 boas práticas para o plantio de soja

Por Equipe FieldView™

Oct 15, 2020

Para obter uma safra produtiva e rentável, o sojicultor precisa adotar as melhores práticas desde o início do ciclo da soja, no estabelecimento da lavoura

Soja - Stand inicial_2

As práticas adotadas no plantio de soja devem resultar na emergência rápida, vigorosa e uniforme das plântulas

 

O agricultor tem observado que, conforme realiza um plantio mais bem-feito, com capricho maior em sua execução, a resposta da cultura é garantida. 

“Cada vez mais, pela necessidade técnica do ciclo da soja, se tem adotado medidas para melhorar mais o plantio, que é chave para se obter altas produtividades”, diz Roberto Favaretto, agrônomo da Área de Desenvolvimento de Mercado da Bayer.

As práticas adotadas pelo produtor devem resultar em uma semeadura eficiente e na emergência rápida, vigorosa e uniforme das plântulas. Quesitos essenciais ao estabelecimento de um stand inicial de qualidade.

Para um plantio de soja “no capricho”, segundo Favaretto, quatro fatores precisam ser considerados: o quanto o solo está apto a receber a semeadura, a qualidade da semente utilizada no plantio, a regulagem da plantadeira (semeadora) e a assertividade da operação de plantio.

Confira abaixo de que forma a adoção desses fatores permitem ao sojicultor estabelecer uma lavoura produtiva desde a formação do stand inicial.

 

1- Cuidados com o solo no plantio da lavoura de soja

A área em que a cultura será estabelecida precisa estar adequada para o plantio. Deve estar livre de plantas daninhas e de pragas, para que a semente e a planta possam se desenvolver sem problemas.

Ação importante também é a análise de solo algumas semanas antes do plantio. Ferramenta que permite avaliar a fertilidade dos diferentes talhões da propriedade, oferecendo subsídios para a tomada de decisão do agricultor quanto à prática de calagem e adubação.

Para o plantio da soja, a adubação recomendada deve considerar a fertilidade atual do solo, identificando o potencial de resposta aos nutrientes. Desta forma, há condições de se fazer a aplicação segundo o grau de limitação e disponibilidade de nutrientes em cada trecho da propriedade.

Desta maneira, quando o solo tiver teores baixos ou muito baixos de nutrientes, é preciso uma adubação de correção. Em casos de teores médios e altos, a adubação é aplicada apenas em quantidades suficientes para repor o que foi perdido, o que proporciona economia de insumo para o produtor.

Na semeadura, uma questão que não pode passar despercebida é a posição da semente em relação ao fertilizante dentro do sulco. “Para não prejudicar a germinação e o desenvolvimento do sistema radicular, é necessário garantir que o fertilizante esteja abaixo e ao lado da semente. O insumo não pode ser depositado junto para evitar perda de qualidade da semente, como pela salinização”, explica Favaretto.

Produtor deve analisar a deficiência ou o excesso de umidade do solo 

Para o estabelecimento da lavoura de soja, o solo precisa estar em condições boas de plantio: nem muito úmido, nem seco, muito menos compactado. 

O produtor não pode semear a soja “no pó”. É que a semente, para que possa emergir, precisa encontrar umidade no solo. “A germinação ocorre quando ela absorve água. A umidade ativa o metabolismo da semente, iniciando o processo germinativo”, explica Favaretto.

O agrônomo da Bayer completa: “para a germinação, a quantidade de água tem que ser suficiente para que a planta emerja do solo. Desde o desenvolvimento do embrião à germinação, o processo não pode ser interrompido por falta de água. Se houver interrupção, a planta perde vigor”.

Quanto ao excesso de umidade, o maior problema está relacionado à plantabilidade da área. “Há impacto na distribuição da semente, na qualidade da abertura e do fechamento do sulco, e na uniformidade da profundidade deste sulco.”

Já o produtor que tem condições de fazer irrigação da área, pode realizar o plantio com o solo um pouco mais seco. Mas a área deve ser irrigada imediatamente após o plantio. “Caso contrário a semente pode perder qualidade por conta da temperatura do solo.”

Segundo Favaretto, o solo ideal para receber a semente é aquele que “você pega na mão e consegue moldá-lo”. Para fazer o plantio sem colocar em risco a boa germinação da lavoura, o produtor tem que estar atento às condições climáticas. “Precisamos de uns 30 a  40 mm de chuva depois que a soja foi plantada para a planta germinar”, diz.

 

2- No plantio da soja, a semente requer atenção especial

O produtor precisa ter atenção à qualidade física e fisiológica da semente a ser utilizada no plantio. “Não pode ter danos mecânicos, deve ser livre de ataque de pragas, não pode ser contaminada por patógenos e é importante que tenha alto poder de germinação, além de qualidade fisiológica”, enumera Favaretto.

“Por isso, para a formação da lavoura, é importante o produtor utilizar sementes certificadas e tratadas, o que possibilita que os aspectos desejados para este material sejam assegurados.”

Uma estratégia imprescindível hoje para que se obtenha um stand inicial de qualidade é o tratamento de sementes. “Se o agricultor não adquiriu semente com tratamento, deve fazê-lo na própria fazenda, principalmente pensando em pragas e doenças.”

Segundo Ana Paula Torresan, engenheira agrônoma e gerente de Marketing de Conteúdo da Climate FieldViewTM, da Bayer, o objetivo do tratamento de sementes é proteger contra o ataque de patógenos e pragas, garantir a expressão de todo potencial genético e assegurar a qualidade sanitária do insumo.

“Uma vez que as variedades de soja foram escolhidas, a opção por proteger preventivamente as sementes pode ser um dos fatores preponderantes para que se tenha um cultivo de sucesso”, afirma Ana Paula.

SAIBA MAIS: Tratamento de sementes: prática alia baixo investimento a alto retorno

 

Critérios para escolher a cultivar e definir a população no plantio de soja

Ao escolher as diferentes cultivares de soja a serem plantadas na lavoura, é importante verificar se estão adaptadas à região. Para isto, vale conferir o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), da Embrapa e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Também é preciso escolher as variedades de acordo com a recomendação de população. “Tenho que fazer o cálculo de quantas sementes usar por metro quadrado, de acordo com as características de cada cultivar”, diz Favaretto.

E ele menciona um exemplo para explicar a realização deste cálculo: 

  • “No meu plantio, vamos considerar que tenho a variedade de soja Monsoy 5838, para a qual preciso de 30 plantas emergidas por metro quadrado. Neste exemplo, o poder germinativo é de 95%, o que significa que esta variedade tem perda de germinação de 5%. Também tenho perda de outros 5% que atribuo a diversos fatores, ataque de pragas, semente que fica por cima do solo. Sempre ocorrem outras perdas. Sendo assim, tenho uma perda total de 10%. Então, para obter as 30 plantas emergidas por metro quadrado, conforme é o objetivo, devo compensar as perdas adicionando 10% de sementes. Ou seja, ao invés de depositar 30 sementes por metro quadrado, deposito 33 sementes. Assim, tenho no final a emergência de 30 plantas por hectare, que é a recomendação da cultivar”.

A escolha da cultivar e a definição da população de sementes no momento do plantio devem ser conduzidas com cuidado pelo produtor, uma vez que um descuido pode acarretar na má emergência do stand inicial.   

A propósito, uma das causas da má emergência é a ausência ou baixa densidade de plântulas (falhas) na linha de semeadura. Outras fatores comuns que prejudicam a emergência em soja, segundo Áureo Lautmann, consultor técnico do Soja Brasil, são a baixa qualidade fisiológica e/ou sanitária das sementes, o tratamento de sementes inadequado, a inoculação com excesso de água, a semeadura em solo com temperatura e umidade inadequadas, e a semeadura mal-feita.

 

3- Como fazer a regulagem da semeadora de soja

Para a boa realização do plantio de soja, a semeadora precisa estar devidamente regulada para abrir o sulco, depositar a semente e fechar o sulco. “O agricultor tem que se certificar que a máquina está realizando todo o processo desejado durante a operação”, salienta Favaretto.

O local ideal para que a semeadora seja regulada é o galpão da fazenda, por conta da melhor estrutura e da maior disponibilidade de tempo para que uma regulagem completa seja feita. “Se deixar para fazer no campo, perco ferramentas de aferição e de manejo da máquina.”

O produtor precisa verificar se todas as peças estão em funcionamento. “Ficar atento às engrenagens, às correntes, se não tenho peças faltando, se toda a máquina está lubrificada, se os discos estão no tamanho ideal, se os sulcadores estão regulados na profundidade planejada.” No galpão também é feita a aferição da quantidade de sementes que a semeadora terá de depositar por metro quadrado ou por metro linear. 

Depois, os testes com a semeadora são concluídos no campo. “Na lavoura, verifico se está caindo a semente, se estão sendo distribuídas equidistantemente, se estão no intervalo que preciso, se o sulco está sendo bem aberto e bem fechado e se as sementes estão sendo depositadas na mesma profundidade.”

 

4- A operação do plantio de soja é decisiva para a qualidade do stand inicial

No plantio de soja, tão importante quanto a preparação do solo, os cuidados com a semente e a regulagem da semeadora é a qualidade da operação de plantio. Se todas as práticas recomendadas não forem seguidas, o estabelecimento da lavoura pode ficar comprometido. 

Segundo Favaretto, alguns pontos são cruciais para o êxito da operação, como a velocidade adequada, a qualidade na distribuição das sementes e a profundidade do sulco. Confira!

VEJA TAMBÉM: Descubra como a agricultura digital pode alavancar um plantio de soja com qualidade

Como definir a distribuição de sementes de soja na lavoura?

No plantio de soja, um quesito fundamental para que a cultura atinja o máximo potencial produtivo é o processo de semeadura. Mas a qualidade desta operação está relacionada com a excelência da distribuição da semente e a forma como as plantas são dispostas na área, o que influencia diretamente nos resultados de produtividade. A distribuição bem-feita no campo pode resultar em produtividade 60% maior.

Por isso, o sojicultor deve fazer o melhor arranjo espacial de plantas na lavoura. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), este arranjo é definido pela densidade de semeadura (plantas por hectare ou por metro quadrado), pelo espaçamento entre as fileiras e pela uniformidade de distribuição de plantas dentro destas fileiras.

Estudos indicaram que o arranjo com melhores resultados para soja de crescimento indeterminado é o de espaçamento entre 40 cm e 50 cm de distância entre as linhas. Ainda assim, o arranjo depende da cultivar selecionada e da época de semeadura.

Segundo Alvadi Antônio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja, o arranjo pode influenciar o crescimento da cultura, a incidência de estresses bióticos (plantas daninhas, insetos-praga e doenças) e abióticos (déficit hídrico, por exemplo), a qualidade das pulverizações, o acamamento e, consequentemente, a produtividade e qualidade dos grãos.

Para cada cultivar recomenda-se uma população diferente de plantas por hectare. O uso de cultivares de soja com tipo indeterminado e com arquitetura compacta de plantas tem aumentado nos últimos anos, estimulando a avaliação de arranjos alternativos, como a semeadura cruzada, a fileira dupla e o espaçamento reduzido.

Para determinar, de maneira assertiva, a quantidade de sementes depositada no talhão e o distanciamento entre as plantas na lavoura, o produtor deve aplicar o conceito de Coeficiente de Variação. “Ele vai me ajudar a definir qual percentual das minhas sementes está no nível aceitável de distância durante a semeadura”, afirma Favaretto.

O agrônomo da Bayer exemplifica. Se o produtor determina que precisa trabalhar com dez sementes por metro linear, automaticamente suas sementes deverão estar a 10 cm de distância uma da outra. Neste exemplo, a partir do momento que uma semente está a menos de 5 cm da distância ideal (a menos de 0,5 vezes), considera-se que há uma semente dupla. Já quando a distância é maior do que 15 cm (1,5 vezes) maior do que a distância estabelecida, considera-se que há uma falha.

Em síntese, na operação de distribuição das sementes, é considerado “aceitável” o espaçamento que estiver entre 0,5 e 1,5 vezes o espaçamento nominal.

Operação de plantio

A qualidade da operação de plantio é determinante na formação do stand inicial

 

Qual é a profundidade ideal para o plantio da soja?

Outro fator crucial na implantação da lavoura é a profundidade do sulco. “O ideal é que todas as sementes estejam na mesma profundidade, entre 2 cm e 4 cm”, diz Favaretto. 

“Se estiver muito profunda, a semente pode gastar muita energia para sair do solo e ter desenvolvimento desuniforme. Se estiver muito rasa, posso ter plantas emergindo em diferentes momentos”, explica.

No processo de semeadura, também não podem ser formados bolsões de ar ao redor da semente. Às vezes, isto ocorre porque o solo está muito compactado, formando-se torrões na abertura do sulco. Também podem resultar do mau fechamento ou da má compactação do sulco. A semeadora tem que trazer terra suficiente para cobrir a semente. “Quando os bolsões de ar se formam, a semente não entra em contato adequadamente com o solo e absorve menos água.”

De acordo com Áureo Lautmann, a emergência pode ser afetada pela dificuldade de romper a camada de solo devido à excessiva profundidade em que foi colocada a semente ou devido à formação de encostamento da camada superficial do solo. O desenvolvimento do sistema radicular pode ser também inibido pela compactação do solo e pela falta de aeração.

 

A influência da velocidade da semeadora durante a operação de plantio

Para que a operação seja realizada com qualidade, o agricultor tem que respeitar a velocidade da plantadeira na execução do plantio, que varia muito de acordo com o tipo de solo, o modelo da máquina, e o nível de umidade e de compactação da área.

A maioria dos agricultores têm optado por uma velocidade média na faixa de 5 km/h, mas tem região do Brasil que permite uma velocidade maior ou menor. “Por isso, considero que, entre 4 e 6 km/ha, é a velocidade que cobre a maior parte da área plantada de soja no país”, sublinha Favaretto.

Durante a operação de semeadura, é importante que seja feito o monitoramento do processo, observando a distância entre as sementes, a profundidade de semeadura e a qualidade da abertura do sulco. “A pessoa responsável por fazer esta verificação deve estar atenta a estes detalhes”, comenta o agrônomo da Bayer, que sugere que esta averiguação seja feita a cada dez metros de sulco aberto.

A distribuição de sementes pela semeadora deve ser uniforme, mas a qualidade desta operação está mais relacionada com a velocidade de plantio do que propriamente com a regulagem da semeadora.

“Posso ter semeadora regulada e distribuindo, conforme planejado, dez sementes por metro. Mas se estiver com velocidade muito alta, esta semente pode não estar sendo distribuída a cada 10 cm”, enfatiza.

Favaretto recomenda, ainda, o uso de plataformas de agricultura digital como FieldView™, para apoiar no mapeamento da operação de plantio e aferição da quantidade de sementes, velocidade do maquinário, entre outros fatores tão importantes para assegurar a qualidade neste momento crucial..

Depois que a área foi semeada com todo o cuidado que a operação exige, a soja vai germinar. É hora de aguardar alguns dias para que os brotos ocupem a paisagem da lavoura. 

 

Sabe o que é o FieldView™?

O FieldView™ é uma plataforma de agricultura digital que auxilia o produtor a coletar e visualizar informações sobre seus talhões, para que a tomada de decisão seja precisa, minimizando prejuízos. Curtiu o nosso conteúdo? Deixe seu comentário abaixo, pois a sua opinião é muito importante para nós. E você, que utiliza o FieldView™, compartilhe a sua experiência. Para mais dicas, siga as nossas redes sociais (@climatefieldviewbr).

VEJA TAMBÉM: Agricultura 4.0

 

 

Compartilhar:
conheça o climate fieldview