Armazenamento dos grãos: quais cuidados são importantes para manter o resultado da safra

Por Jessyca Zago, Gerente de Sucesso do Cliente na Climate

Jul 06, 2020

Manter a qualidade do produto pós-colheita é essencial para não perder o rendimento conquistado na lavoura 

Silo_ Milho

Armazenar os grãos com segurança, ou seja, protegidos de fatores externos que possam danificar sua integridade, é sinônimo de preservação dos investimentos feitos durante toda uma safra. Alguns produtores optam por guardar parte da produção para comercializá-la futuramente. Os períodos dessa guarda podem variar de mais curtos a mais longos. Para as duas opções, os produtores podem contar com diferentes tipos de armazenagem e com ferramentas da Agricultura Digital que contribuem com a manutenção da qualidade do seu produto.

A Pesquisa Estoques, divulgada no mês passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que a capacidade de armazenamento de produtos agrícolas no Brasil chegou a 177,7 milhões de toneladas no segundo semestre de 2019, um aumento de 1,3% com relação ao mesmo período de 2018. O milho é o principal produto armazenado, com 11,9 milhões de toneladas, e a soja vem em seguida, com um volume de 5,5 milhões de toneladas.

O mercado disponibiliza diferentes tipos e opções de sítios para armazenamento, como silo metálico, silo de concreto, armazém graneleiro ou estruturas temporárias conhecidas como silos bag, ou silos-bolsa. Para cada tipo de estrutura, o produtor deve avaliar o custo-benefício, o tempo que pretende deixar sua produção armazenada, o volume e os riscos que corre ao deixar seu produto guardado naquele determinado modelo de armazenagem. 

1. Limpeza e secagem

Antes de seguir para o armazenamento, é recomendado que os grãos colhidos estejam limpos, livre de impurezas, restos culturais e doenças, como, por exemplo, os grãos ardidos do milho, ou seja, o material que passou por algum processo de podridão antes da colheita. Os principais patógenos causadores dos grãos ardidos são os fungos Diplodia macrospora e o Fusarium moniliforme. Há uma tolerância máxima de presença desses grãos de até 6% em lotes comerciais. Outro cuidado que deve anteceder o armazenamento é a secagem dos grãos, caso a colheita tenha sido realizada em um percentual de umidade mais alto na lavoura, é necessário diminui-la. O ideal é que o milho esteja com a umidade em torno de 12%; e a soja, em 11%, isso para longos períodos de armazenamento. Esses cuidados pré-armazenamento ajudam a evitar o desenvolvimento de doenças e perdas na qualidade do produto durante a estocagem, o que impacta o seu preço de venda e o volume colhido.

Saiba mais: Quatro dicas para evitar perdas na colheita do milho safrinha

A Agricultura Digital não está presente somente no monitoramento das etapas produtivas enquanto a cultura está no campo, mas, também, no próprio processo de armazenamento. Existem, no Brasil, sistemas que envolvem sensores e tecnologias para silos que verificam um dos mais importantes aspectos a serem considerados na qualidade de um sítio de armazenamento, a termometria, ciência que mede a temperatura desses locais.

2. Termometria

A temperatura é, sem dúvida, um dos principais fatores que interferem na qualidade dos grãos, por isso, a medição constante por termometria permite o controle da massa e a preservação da produção. Caso ela indique alguma irregularidade, ou seja, abaixo de 14 ºC ou acima de 18 ºC, a área, ou pessoa responsável pelo armazenamento dentro de silos, poderá identificar os problemas de conservação do produto e tomar as medidas necessárias para a sua correção, preservando a integridade dos grãos. 

A temperatura mais alta dentro de um silo pode causar a deterioração de materiais orgânicos, em especial, por isso, é importante que exista um sistema de aeração que faça o seu resfriamento. Problemas como fungos e insetos podem aparecer, caso o ambiente esteja propício ao seu desenvolvimento. Carunchos e traças são pragas de grande importância econômica no armazenamento do milho, ou seja, que podem causar grandes prejuízos aos armazéns. No primeiro grupo, as espécies que causam mais problemas são Rhyzopertha dominica, Sitophilus oryzae, S. zeamais e Tribolium castaneum e, no segundo, Sitotroga cerealella. O controle de pragas nos grãos armazenados, especialmente, em longo prazo, é necessário para proteger a fitossanidade da produção. 

Outro ponto a ser observado é a umidade no sítio que, acima do recomendado, com os pontos levantados em relação à temperatura, contribui para proporcionar um ambiente ideal para a proliferação de insetos e fungos. No caso do milho, por exemplo, a umidade deve ser mantida em torno de 13%; e a da soja, em 12%. De forma geral, o produtor deve avaliar a limpeza, ventilação e leitura constante da termometria, além de serviços de desinfecção, caso haja o surgimento de patógenos que possam causar perdas no volume armazenado. 

A termometria automatizada trabalha a partir da leitura dos dados realizada por sensores colocados estrategicamente dentro dos silos. O sistema permite que a temperatura seja monitorada em diversos pontos. Por meio de uma eventual detecção de focos de aquecimento, eles serão indicadores do possível aparecimento de pragas e degradação dos grãos. Na termometria tradicional, a leitura é feita por meio de um plug que é inserido em uma caixa de comutação, um conjunto de operações que interliga circuitos e faz a leitura da temperatura em todo o conjunto.

3. Importância da manutenção constante

Aves, roedores e insetos vivem próximos às suas fontes de alimentação. Um local de armazenamento de cereais pode representar uma fonte inesgotável de comida, por isso, é importante verificar as condições locais para evitar perdas com esses tipos de problemas. A limpeza constante e a manutenção do depósito são imprescindíveis para que a produção não seja impactada por esses agentes.

4. Alternativa ao armazenamento tradicional em silos e armazéns

Guiverson_Silobag

Guiverson Bueno, de Lucas do Rio Verde (MT), optou por armazenar sua produção em silos bolsa.

Hoje, o produtor dispõe de uma série de alternativas, desde obter o seu próprio silo até alugar espaços em silos de cooperativas e armazéns. O custo-benefício pode variar de acordo com o volume e tamanho das propriedades. O mais importante é que esses espaços ofereçam o mínimo de cuidados com o produto resultante de uma safra de investimentos.

De acordo com Guiverson Bueno, produtor de Lucas do Rio Verde (MT), o silo- bolsa é mais viável economicamente ao seu negócio. “Eu verifico sempre a estrutura e faço a manutenção quando é necessário, o que é bem simples. Colho o milho com a umidade entre 14,5% e 14% para evitar a proliferação de doenças nas bolsas. Os grãos permanecem com a mesma qualidade durante toda a armazenagem”, conclui.

Os silos-bolsa têm se apresentado como uma alternativa economicamente viável aos produtores, no entanto, o tempo de armazenamento da cultura não deve ser prolongado nesses locais, já que os controles de temperatura e ventilação são mais desafiadores. Outro ponto é a necessidade de vigilância constante com relação à estrutura, uma vez que, por apresentar uma película plástica, o silo bag pode se romper facilmente.

A etapa de armazenamento é crucial para assegurar os esforços investidos durante o cultivo da cultura. A escolha do tipo de armazenamento deve se enquadrar à realidade de cada fazenda, e as opções devem ser levadas em conta de acordo com as particularidades de cada negócio. Nada como a experiência dos produtores para indicar o melhor destino para os seus grãos. 

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