Dicas para manter a alta produtividade no algodão

Por Equipe FieldView™

Jun 22, 2020

Os cuidados durante as etapas produtivas e pós-colheita do algodão ajudam a evitar que a fibra perca qualidade ao longo do processo

Fardos Algodão

Ao se cobrir durante o inverno com um edredom macio e quentinho, poucos sabem que essa maciez é resultado de um longo processo que começa com o algodão na agricultura e passa pela indústria têxtil até chegar à casa das pessoas. A jornada de transformação do algodão recém-colhido começa a partir do armazenamento do produto nas beneficiadoras. Os fardos redondos ou retangulares de fibra ainda aderida ao caroço chegam do campo pesando entre 3,4 e 12 toneladas, dependendo do equipamento que fez a colheita e o enfardamento do material. Para separar a pluma do caroço, é necessário que haja o beneficiamento, ou o “descaroçamento” da fibra.

De acordo com a AMIPA, Associação Mineira dos Produtores de Algodão, a composição da massa do fruto do algodão é 52% de sementes, 40% de fibras, principal produto econômico do algodoeiro, compostas por camadas de celulose e 8% demais estruturas botânicas.

Na Usina de Beneficiamento, o algodão passa por uma primeira etapa de limpeza e em seguida, é encaminhado para o descaroçamento, onde ocorre a separação da fibra do caroço e a retirada de outras impurezas. Na sequência, são produzidos fardos menores que pesam em média 220 kg, estes “fardinhos” são enviados, ou exportados para as fiações.

Nas fiações, o material passa pelo processo de cardagem, uma espécie de pente industrial que alinha as fibras e as transforma em fitas. Dali, as fitas vão para o passador para que o diâmetro do fio seja diminuído corrigindo possíveis irregularidades do material. Deste ponto em diante, o algodão já está pronto para se tornar tecido.

O caroço do algodão contém também o linter, fibras curtas que, após passarem por processos industriais, são utilizadas na fabricação de algodão hidrófilo, tecidos cirúrgicos, papel-moeda e até em tramas mais rústicas. Do caroço, é extraído o óleo, produto amplamente utilizado nas indústrias de nutrição humana, ração animal, entre outras. Um subproduto do caroço, também utilizado como ração animal, é a torta resultante do esmagamento do caroço após a extração do óleo.

O destino do algodão

A adoção de tecnologias e o investimento em recursos, maquinários e novas cultivares no campo ajudaram os cotonicultores brasileiros a tornarem o País o 5º maior produtor de algodão do mundo nas últimas safras, de acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Segundo a Anea (Associação Nacional dos Exportadores de Algodão), em cinco anos, o País terá condições de ocupar a liderança global nas exportações do produto. As indústrias têxteis de Bangladesh, China, Coreia do Sul, Turquia e Vietnã representam os principais destinos do algodão brasileiro, que precisa entregar constantemente um produto de qualidade aos seus compradores.

Exigências nacionais e internacionais

Para atender tanto ao mercado nacional quanto ao internacional, o cotonicultor precisa que o seu algodão passe por uma avaliação. Amostras dos fardos colhidos são classificadas por reflectância e de acordo com uma escala de cores que vai do amarelo ao branco. Quanto mais branca a pluma, melhor será a qualidade e o custo do produto. Outra classificação está relacionada à presença de neps no algodão, pequenos emaranhados de fibra, que, em grande número, podem prejudicar a fiação e diminuir a qualidade do produto.

O acompanhamento de cada fase é importante para evitar que alguns fatores interfiram na produtividade do algodão, ou ainda que impactem negativamente o custo final do produto ao mercado. Neste contexto, os engenheiros agrônomos Samir Costa Júnior, técnico da área de desenvolvimento de mercado para o algodão na Bayer, e Rafael Mendes, líder da área de sementes e biotecnologias para algodão, também da Bayer, dão algumas dicas:

  1. Regulagem das máquinas
    A calibração constante das colheitadeiras que trabalham de 800 a 1000 hectares por safra do algodão são fundamentais. Ela evita problemas como o encarneiramento, quebra de fibras e diminui a presença de impurezas no beneficiamento. Durante a colheita, ocorre uma pré-limpeza do algodão na colheitadeira por meio de uma corrente de ar que remove parte dos restos de folhas e do pó.  “Para um melhor desempenho da máquina, a manutenção, a regulagem e a limpeza devem ser rigorosas. Este acompanhamento evita o incremento de pó no conteúdo da fibra do algodão, já que essas impurezas dificultam os processos industriais”, afirma  Samir. “Esses cuidados também contêm o “embuchamento” das máquinas, acrescenta.

  2. Umidade no algodão
    Quando o algodão é colhido com excesso de umidade pode haver o “encarneiramento” do algodão na colheitadeira e também, durante o beneficiamento do produto. Por esta razão, o cotonicultor deve estar atento ao planejamento dos horários da colheita. “No período da noite a aquosidade será maior na lavoura, por isso, é importante que o responsável pela colheita faça o monitoramento na fibra associado à calibração de umidificação da colheitadeira”, chama a atenção o especialista da área de desenvolvimento de mercado. “Nossa recomendação é que o algodão seja colhido com uma umidade de 8 a 10%”, este é o percentual ideal de umidade para que o algodão seja beneficiado, lembra Samir.


  3. Armazenamento do algodão
    De acordo com Rafael Mendes, outro ponto é o cuidado no armazenamento dos fardos por meio de uma medição constante da umidade. “Isto, ajuda a evitar o desenvolvimento de fungos e outros patógenos no algodão colhido”, informa. 


  4. Análises pós-colheita
    Para entender os pontos fortes e também os desafios encontrados durante a safra do algodão, as ferramentas da Agricultura Digital auxiliam o cotonicultor nesta análise. “O cotonicultor faz um investimento alto por hectare, e a Agricultura 4.0 faz parte do dia a dia dele, ele precisa de um maior número de dados para saber o retorno sobre o investimento e onde é necessário fazer algum ajuste. Ferramentas como o FieldView™ ajudam o cotonicultor a ter a visibilidade de todo o processo. Ele acompanha por meio de mapas e relatórios a evolução da lavoura e os resultados da colheita, faz correlações entre todos os manejos e analisa as decisões tomadas por meio da produtividade final”, conclui Rafael Mendes. 

Saiba mais: Veja o que fazer no pós-colheita

 

 

 

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