Como será a agricultura digital nos próximos anos?

Por Equipe FieldView™

Jan 19, 2021

As ferramentas digitais transformam a vida do produtor rural, maximizam a rentabilidade e agregam valor ao negócio

Produtor operando tablet na plantação de soja

Agricultura digital para a próxima década

 

A transformação digital tem sido responsável por mudanças na sociedade mundial, marcadas pela utilização de diferentes vias tecnológicas para melhorar o desempenho e otimizar resultados de empresas, instituições e pessoas. 

A exemplo de outras áreas, como saúde, educação, indústria e meios de comunicação, essa lógica também ganha força na agricultura moderna

Com a digitalização dos processos agrícolas, do plantio à colheita, a zona rural testemunha uma nova fase disruptiva nesse início de Século XXI.

Passam a fazer parte da vida do agricultor tecnologias digitais de ponta, integradas e conectadas por meio de softwares, sistemas e equipamentos capazes de otimizar a produção agrícola, em todas as suas etapas. Nasce a Agricultura 4.0.

Nesse contexto de transformações, quais têm sido as grandes mudanças já observadas, o que esperar para o futuro da agricultura digital e quais são os desafios que o setor tem pela frente? 

 

84% dos agricultores brasileiros já usam as ferramentas digitais no campo

Antes de vislumbrar o futuro, é importante saber como está a adesão dos produtores às ferramentas digitais. 

Pesquisa realizada pela Embrapa, pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revelou que 84% dos agricultores brasileiros utilizam ao menos uma tecnologia digital como ferramenta de apoio à produção agrícola.

O estudo mostra que a facilidade de comunicação e de acesso à informação, proporcionada pela internet, são a porta de entrada hoje para introduzir o agricultor no “mundo” das novas tecnologias. 

Mas aplicações mais especializadas, capazes de ampliar o acesso a mercados, reduzir custos ou ainda agregar valor à produção já estão no radar dos produtores rurais, com potencial de expansão. 

 

Cada vez mais, empresas e produtores entram na era digital

Para Guilherme Belardo, engenheiro agrônomo e líder de desenvolvimento de negócio da Climate FieldViewTM, existe um processo acelerado de incorporação das tecnologias digitais no campo. “Cada vez mais, empresas e produtores entram na era digital”, diz.

Seja para agilizar a comunicação na hora de contratar um serviço, pesquisar o preço de um insumo ou para enxergar a propriedade com outros “olhos”, mapeando a lavoura e planejando a atividade, as ferramentas digitais já têm sido usadas no dia a dia do produtor. 

Cerca de 70% dos produtores rurais que responderam à pesquisa da Embrapa disseram que acessam a internet para interesses gerais sobre agricultura. E mais da metade usa canais como redes sociais e aplicativos para enviar mensagens e se informar. 

Mas muitos agricultores ainda não utilizam as tecnologias digitais para alavancar os resultados do campo: cerca de um terço utiliza soluções digitais para mapear a lavoura e a vegetação e para a previsão de riscos climáticos. 

O estudo mostra ainda que os produtores têm interesse em saber mais sobre essas tecnologias, uma vez que 95% desejam obter mais informações sobre agricultura digital. 

 

Decisões mais ágeis na gestão da lavoura

Ao olhar a história, o campo já passou por várias transformações. Foi muito impactado pela Revolução Industrial, implementou a Revolução Verde, em sintonia com uma demanda mundial crescente por alimentos, e ainda passa pela Revolução da Biotecnologia

Mas as transformações da agricultura advindas da Revolução Digital tendem a ser muito mais rápidas. 

Bom para o agricultor, que passa a contar com o apoio da agricultura digital para tomar decisões com maior agilidade - e assertividade - sobre a lavoura. 

Para o monitoramento de doenças e pragas, por exemplo, não precisa mais visitar talhão por talhão indistintamente. 

Com o suporte de imagens de satélite, o produtor pode identificar áreas com problema de desenvolvimento vegetativo, o que ajuda a priorizar pontos a serem visitados durante o monitoramento.

Plantação de soja com pragas

Doença aferta o desenvolvimento vegetativo da planta

 

CONFIRA: Como a agricultura digital pode ajudar na estimativa de produtividade da lavoura?


As ferramentas digitais disponíveis já potencializam a gestão da lavoura

As ferramentas digitais que estão à disposição ajudam o agricultor a superar desafios e tomar melhores decisões embasadas em informações, permitindo o aumento da produtividade e da rentabilidade. 

Exemplo são as imagens de satélites. “Elas ajudam a avaliar a lavoura de forma diferente do que o produtor estava acostumado. 

Ao monitorar o crescimento da planta, ajuda a identificar áreas com problema de desenvolvimento vegetativo.”

Belardo menciona os apps que geram mapas de calor da lavoura, possibilitando identificar áreas que podem sofrer com a pressão de pragas e doenças. 

“Importante para se fazer uma aplicação de defensivos mais localizada, seja com drone, avião ou pulverizador, economizando produtos”, diz.

Segundo Belardo, em síntese, a agricultura digital traz maior sustentabilidade à produção no campo. 

“As ferramentas digitais permitem otimizar a quantidade de produtos a serem aplicados em cada talhão, e ajudam a destinar a quantidade ideal de insumos para cada ponto da lavoura. Tecnologias que maximizam a rentabilidade e tornam o negócio ainda mais sustentável.”

VEJA: A digitalização do campo pode ser caminho para uma agricultura mais sustentável

 

Para a agricultura digital, o “céu é o limite”

As tecnologias disruptivas têm um potencial imenso de aplicações em todas as atividades, passando pelo plantio, manejo, colheita e pós-colheita. 

Abrangem todas as etapas do processo produtivo, incluindo sensores para análise do solo, estações agrometeorológicas automatizadas, imagens de satélites de alta resolução para monitoramento agrícola e florestal, sistemas e aplicativos voltados à estimativa de produtividade, rastreabilidade e certificação dos produtos agrícolas etc.

De acordo com Édson Bolfe, pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária, a agricultura digital é fruto de diferentes convergências tecnológicas, como a biotecnologia, a nanotecnologia e a tecnologia da informação e da ciência cognitiva, além das geotecnologias, da agricultura de precisão e da internet das coisas. 

“Também envolve conhecimento de áreas multidisciplinares e dos mais diversos especialistas, como meteorologistas, cientistas da computação, matemáticos, estatísticos, biólogos, bioinformatas e outros profissionais, além dos tradicionais agrônomos.”

Drones usados na agricultura moderna

Drones usados na agricultura moderna

 

Sensores, drones, aplicativos, softwares e sistemas de gestão, imagens de satélites, tratores, pulverizadores e colheitadeiras automáticos já são realidade no meio rural. 

“Mas com a geração cada vez mais intensa de dados e informações, serão necessárias novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), para analisar tudo isso, interpretar e trazer soluções integradas que ajudem o produtor a tomar decisões rapidamente e com menor custo”, afirma o chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, Silvia Massruhá. 

Os benefícios podem abranger todas as cadeias produtivas agrícolas, com a incorporação de inovações e a interação entre os diferentes elos, impactando os produtores rurais, fabricantes de insumos, processadores, distribuidores e consumidores. 

“O processo de transformação digital nas propriedades rurais não é mais uma opção, é um caminho imprescindível para tornar a agricultura brasileira mais competitiva e com maior agregação de valor”, afirma Édson Bolfe.

 

O que esperar da agricultura 4.0 para a próxima década?

Para Belardo, uma das grandes tendências das ferramentas digitais é a maior integração dentro de um ecossistema, em que todas as informações passam a estar integradas dentro da mesma plataforma.

“E as empresas já começam a se conectar mais, a terem soluções integradas, e o agricultor passa a ter esses dados melhor organizados, facilitando a obtenção de resultados”, diz Belardo. 

“Acredito que, nos próximos anos, essas integrações vão acontecer cada vez mais rapidamente”, completa.

Ele destaca que o próprio FieldViewTM, da Bayer, se conecta às soluções de algumas startups parceiras, em que diferentes dados, como de produtividade, colheita e pulverização, ficam também disponíveis em outra plataforma, desde que o agricultor autorize e faça essa conexão de forma digital.

No futuro, ele também vislumbra uma agricultura digital que passa a ser vista como uma plataforma sempre apta a resolver problemas do agricultor, cujas ferramentas estarão integradas dentro de um ecossistema único. 

“E o agricultor define qual é a melhor plataforma para ele, mas que esteja integrada com outras, disponibilizando melhores dados para o produtor.”

Na projeção de Belardo, a possibilidade de tornar o negócio mais sustentável com a agricultura digital, por meio de suas diferentes ferramentas, tende a ser cada vez mais evidente para o produtor. 

VEJA AINDA: Ferramentas digitais unem forças para potencializar o mapeamento da biomassa

 

Empresas, instituições investem na agricultura digital

Em linha com o interesse crescente dos agricultores pelos benefícios propiciados pelas ferramentas digitais, empresas e instituições investem em pesquisa e desenvolvimento. 

Junto com institutos de pesquisa, universidades e o setor privado, a Embrapa, por exemplo, realiza estudos com inteligência artificial, automação e robótica, blockchain (corrente de blocos), criptografia para rastreabilidade, internet das coisas (IoT, na sigla em inglês). 

São inúmeras as vias tecnológicas que ganham espaço pelo mundo afora e, por meio de iniciativas como as da Embrapa, também convergem para a agricultura. Afinal, essas tecnologias permitem a comunicação entre máquinas, plataformas digitais, processamento em nuvem e visão computacional. 

Entre os projetos de pesquisa que a Embrapa Informática Agropecuária desenvolve na área de inteligência artificial e aprendizado de máquina, está o EcontaFruto, que, em parceria com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), busca automatizar a contagem de frutos em laranjais. 

Plantação de cana crescendo

Diferentes empresas focam em levar tecnologias cada vez mais inovadoras e eficientes para o produtor rural

 

Outra pesquisa, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), usa drones para contagem de gado. Já o Swamp (Smart Water Management Platform) usa a internet das coisas para criar uma plataforma inteligente de gerenciamento de água em irrigação de precisão, em parceria com a União Europeia e coordenação da Universidade Federal do ABC (UFABC).

A plataforma de agricultura digital da Bayer, a Climate FieldViewTM, está entre as empresas que apostam alto em levar tecnologias cada vez mais inovadoras e eficientes para o produtor rural. 

Segundo Rafael Sanches Garcia, Líder de Produto - Latam da Climate FieldViewTM, a empresa possui, atualmente, “dezenas de gerentes de produtos, pesquisadores de usabilidade e interação com o cliente e um time de ciência altamente qualificado, e que trabalham em modelos de inteligência artificial para otimizar os produtos e aperfeiçoá-los no apoio à tomada de decisão”.

Garcia destaca que, na concepção de cada funcionalidade digital do FieldViewTM, o produtor está sempre no centro da experiência e é envolvido em todas as etapas, da criação ao desenvolvimento do produto. 

“Isso nos permite ter um engajamento alto com os nossos clientes. Afinal, sempre procuramos entender profundamente as suas necessidades e endereçá-las dentro da plataforma”, sublinha.  

 

Startups e hubs de inovação levam soluções às demandas do produtor

Nesse processo de transformação digital da agricultura, importante papel tem sido desempenhado pelas startups

“O Brasil já tem mais de mil empresas desse tipo, que são disruptivas, altamente tecnológicas e estão focadas em solucionar, com agilidade, alguma dor do agricultor”, salienta Belardo.

Quando se fala em agricultura 4.0, “não se pode pensar que uma plataforma específica resolva todos os problemas digitais do produtor”, pondera Belardo.

Por isso, novas startups surgirão, trazendo soluções inovadoras ou aperfeiçoando o que já existe no mercado. O que terão sempre em comum? O foco na realidade do campo e na geração de dados que levem valor ao produtor.

Produtor usando meios digitais na plantação

Hubs promovem inovação no setor agrícola

 

Nesse contexto, os Hubs de Inovação também têm desempenhado importante papel para o desenvolvimento do setor agrícola. 

Iniciativas voltadas para a geração de negócios entre startups e grandes empresas, e que são propícias para o encontro de pessoas que interagem, criam, empreendem, trabalham e inovam juntas.

Referência nessa área é o Pulse, um Hub de Inovação criado pela Raízen - empresa do setor energético - há quase quatro anos, já tendo contribuído com o setor pelo desenvolvimento de diferentes tecnologias agrícolas.

Ao longo de sua trajetória, o Pulse conquistou um papel fundamental no ecossistema de inovação ao permitir uma conexão entre todos os players da cadeia do agronegócio, sejam eles investidores, futuros talentos, formadores de opinião, universidades ou startups que tenham novas soluções para as questões cotidianas e operacionais. 

Saiba mais ouvindo o episódio do nosso podcast sobre Hubs de Inovação.

OUÇA O NOSSO PODCAST: Hubs de Inovação - Quem são os integrantes do ecossistema das soluções inovadoras?

 

Confira novidades que FieldViewTM trará aos agricultores em 2021

Assim como nos últimos anos, em 2021 a Climate FieldViewTM trará inovações e upgrades de suas ferramentas digitais, desenvolvidos a partir da sintonia permanente com o agricultor. 

“Por meio de diversas pesquisas realizadas com produtores rurais, em diferentes países, mais uma vez iremos entregar diversas novidades ao produtor”, afirma Garcia, Líder de Produto - Latam da Climate FieldViewTM

Segundo ele, os upgrades serão em áreas como upload e correção de dados, monitoramento, prescrições e usabilidade geral das plataformas.

Garcia menciona algumas ferramentas que estão sendo concebidas ou aperfeiçoadas pela equipe de desenvolvimento da companhia:

  • nos módulos de prescrição, permitir a criação de prescrições de pulverização com vários produtos simultâneos;
  • a possibilidade da criação de prescrições em lote;
  • ajuste de pós-colheita;
  • criação de um novo aplicativo para sistema operacional Android para geração de dados.

Destaca ainda que diversas iniciativas relacionadas à melhoria de captura de dados, usabilidade e estabilidade da plataforma também estão sendo endereçadas. 

 

Desafios para as transformações digitais no campo

Apesar de, cada vez mais, os produtores brasileiros enxergarem a tecnologia digital como grande aliada para o aumento da rentabilidade e da produtividade, obstáculos precisam ser superados. “Um deles é a falta de conectividade em diversas regiões”, pontua Garcia. 

O Censo Agropecuário 2017, divulgado em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresenta gargalos no campo quanto à infraestrutura e à conectividade. 

Segundo o levantamento, dos 5,07 milhões de estabelecimentos rurais existentes no Brasil, 3,64 milhões não têm acesso à internet, ou seja, 71,8% das propriedades. 

Apesar disso, a exclusão digital nas áreas rurais tem sido superada aos poucos. De 2006 a 2017 houve um crescimento de 1.900% no acesso à rede pelos produtores rurais, graças, principalmente, ao uso dos smartphones.

Fazendeiro usando o tablet na agricultura

Um dos obstáculos da agricultura 4.0 é aumentar a conectividade no campo

 

Pensando em solucionar esse gargalo e impulsionar o uso de tecnologias já existentes, oito empresas se uniram em uma iniciativa inédita para ajudar o agronegócio nacional.

AGCO, CNH Industrial, Jacto, Bayer, Nokia, TIM, Solinftec e Trimble anunciaram, durante a Agrishow de 2019, o ConectarAGRO, um consórcio para oferecer internet nas áreas rurais, por meio da instalação de antenas.

Os resultados da sinergia de empresas de diferentes segmentos, como telecomunicações, máquinas e plataformas agrícolas, têm sido muito promissores, já cobrindo milhões de hectares em menos de dois anos de projeto.

SAIBA AINDA: ConectarAGRO: a iniciativa que pode oferecer conectividade ao campo

 

Outro desafio é a capacitação da mão de obra no campo, que deve sofrer um forte impacto com a automação e a informatização dos processos agrícolas. 

Para Belardo, a não adoção das ferramentas digitais por parte do produtor seria um primeiro obstáculo para a agricultura 4.0, mas que, a cada dia, vai sendo superado. 

Na era da agricultura digital, a geração e organização dos dados da lavoura geram valor para o produtor. 

Eis o grande trunfo desse modelo de agricultura, segundo Belardo. O grande desafio do produtor passa a ser como extrair o máximo valor com os dados que passa ter à disposição.

“Embora muitos acreditem que seja conservador,  o que se vê no dia a dia é que o agricultor brasileiro tem vocação em adotar tecnologia. No mundo, o nosso produtor rural já é um dos que mais testam, validam produtos e usam novas tecnologias no campo.”

VEJA TAMBÉM: Agricultura de precisão, agricultura 4.0 e agricultura digital: é a mesma coisa?

 

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