Agricultura Digital e Agricultura 4.0: o que é, estratégias e como utilizar

Por Equipe FieldView™

Aug 03, 2020

A Agricultura Digital chegou, oficialmente, ao Brasil em 2017 por meio de plataformas de integração de dados e dos avanços nos estudos na área da agricultura moderna e de precisão

Monitorando a lavoura através da Agricultura Digital e 4.0Monitorando a lavoura através da Agricultura Digital

A sistematização das safras através da agricultura digital foi o marco da agricultura moderna. Quando a demanda mundial por alimentos começou a crescer, as famílias que sempre representaram a base da agricultura deram início a busca por maquinários e tecnologias para o campo que pudessem facilitar o manejo e intensificar a sua produção na lavoura.

Os sistemas de produção começaram a surgir e a agricultura intensiva, ou seja, aquela que exige mais insumos, ganhou o seu espaço, exigindo um apoio da ciência para impulsionar as tecnologias na lavoura e no desenvolvimento de ferramentas que pudessem contribuir para os produtores rurais em suas etapas produtivas.

A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) alertou, nos últimos anos, que, em 2050, o mundo terá mais de 9 bilhões de habitantes e que, para atender à demanda dessa população por alimentos, será necessário produzir até 70% a mais de grãos, frutas, verduras e cereais, a fim de nutrir todos os países.

Nesse contexto, a agricultura digital no Brasil, passa a ter um papel importante, já que o país é um dos maiores produtores mundiais de grãos e de carnes.

Para se ter uma ideia, de acordo com o levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado em julho, o País retomou o posto de maior produtor de soja do planeta e deverá colher um recorde de 247,4 milhões de toneladas do grão na safra deste ano.

Quais são os desafios na agricultura digital no Brasil?

Nesse cenário, é importante lembrar que devido às particularidades e desafios de um país tropical quanto ao clima, incidência de pragas e doenças, a percepção de assertividade no manejo e aumento da produtividade por área fez com que a percepção de que o manejo poderia ser mais eficiente evoluísse. No início deste século, entidades de pesquisa e a iniciativa privada, junto aos produtores rurais brasileiros, investiram no desenvolvimento de ferramentas que tinham o georreferenciamento como base operacional. O principal objetivo foi o de produzir mais por hectare. 

A Agricultura de Precisão chegou, então, aos campos, oferecendo ferramentas de automação que customizariam a produção em cada área agricultável, otimizando a utilização de insumos. As particularidades de cada ponto da lavoura passaram a ser consideradas, e não mais a lavoura como um todo, surgiu ali, também, a aplicação por taxa variável.

Quais as vantagens da agricultura digital?

Com o crescimento da população, é natural que tudo se atualize conforme o tempo vai passando. Novos hábitos alimentares e o aumento da demanda por alimentos faz com que o agronegócio aprimore os seus processos através dos benefícios que as tecnologias 4.0 têm para a agricultura, reduzindo custos, otimizando processos e aumentando a eficiência da qualidade na produção do campo com o apoio das plataformas digitais.

Quais os desafios da agricultura digital?

Por outro lado, alguns desafios do Agro 4.0 são previstos para o produtor, que precisa se adequar às ferramentas da agricultura digital que necessitam de conexão com internet para coletar e processar dados e apoiar na tomada de decisão do dia a dia na lavoura.

Que ferramentas adotar na agricultura digital

Pouco mais de 15 anos depois, os maquinários ganharam sensores e atuadores que acompanhariam cada etapa produtiva. Satélites passaram a informar condições climáticas, e o Big Data chegou ao agronegócio. O produtor descobriu que poderia ter uma maior e mais facilitada visibilidade e análises de dados sobre a sua lavoura, no entanto, a forma como ele as interpretaria seria um novo marco na história da agricultura. Naquele momento, surgia a Agricultura Digital, um novo conceito que traria um novo patamar de produtividade às lavouras brasileiras.

 

Saiba mais: Agricultura de precisão, agricultura 4.0 e agricultura digital: é a mesma coisa?

 

Entrevista com o Professor Doutor Antônio Luis Santi

Quem conta a trajetória da chegada da Agricultura Digital ao País é o Professor Doutor Antônio Luis Santi, que, desde 2003, investe o seu tempo em pesquisas nessa área e nos concedeu um bate-papo muito interessante, confira a seguir:

Agricultura digital ajudando o agricultor a monitorar plantação de milhoOs impactos da Agricultura Digital no campo

O que é Agricultura digital?

A agricultura digital ou 4.0 de acordo com o Ministério da Agricultura, contribui para as inovações e integrações de dados do agronegócio para ajudar os produtores rurais através de tecnologias de análise de dados, sensoriamento remoto, inteligência artificial, machine learning, big data, entre outras, que aumentam a produtividade.

A agricultura de precisão considera a aplicação de insumos nas áreas que apresentam maior potencial produtivo. Um exemplo: podemos utilizar dados georreferenciados para o uso da agricultura de precisão. Esses dados são obtidos com ferramentas de agricultura digital, como mapas, imagens de satélite, fotografias, sensores, câmeras e demais hardwares e softwares que contribuem para o acompanhamento da lavoura.

Portanto, tudo aquilo que agrega mais precisão e otimiza recursos para convergir em maior produtividade e sustentabilidade com o uso da tecnologia, pode ser classificado como agricultura de precisão. Já as ferramentas digitais que produzem dados para ajudar na tomada de decisão entram no universo da agricultura digital.

 

Qual o objetivo da Agricultura 4.0?

A agricultura 4.0, é um conjunto de tecnologias digitais que de forma integrada e avançadas apoiam agricultores a tomarem decisões assertivas e baseadas em dados. São desenvolvidas através de softwares que otimizam o desempenho da cadeia produtiva em todas as fases do cultivo, do plantio até a colheita.

 

O que a Agricultura Digital trouxe ao produtor que revolucionou a história da produção agrícola?

Nos últimos 3 anos, a Agricultura 4.0:

  • Melhorou a eficiência produtiva;
  • Melhorou a lucratividade do produtor;
  • Melhorou a eficiência ambiental.

 

Vídeo do Professor Doutor Antônio Luis Santi falando sobre a agricultura digital

A agricultura digital veio não só para melhorar o olhar agronômico, mas também para proporcionar aos produtores e seus consultores um trabalho mais assertivo, muito mais responsável tecnicamente e muito mais responsável ambientalmente.

A agricultura digital nos deu a oportunidade de ampliar o olhar agronômico e de analisar o todo dentro da agricultura moderna. Ela melhorou o que a agricultura de precisão já vinha fazendo, que é entender a variabilidade do solo e, a partir disso, evoluir e compreender o cenário da planta dentro do sistema produtivo.

A agricultura 4.0 é uma quebra de paradigma, o olhar agronômico não fica mais generalizado, ela nos proporciona fazer uma pesquisa reversa e se concentra na planta. Por exemplo, se a planta responde bem e é produtiva, o que ela está recebendo para isso, ou, ao contrário, se seu desenvolvimento vai mal, o que ela está recebendo para isso.

 Agricultura digital controlada pelo tabletAgricultor usufruindo da tecnologia da agricultura 4.0

Sobre alimentar 9 bilhões de habitantes por meio do aumento de produtividade por área, o que as pesquisas na área de agricultura digital mostraram nesses primeiros anos?

Por meio do projeto “Construindo e Desafiando a Produtividade”, em parceria com a Bayer, a Connect Farm e com a Universidade de Santa Maria (RS), nós conseguimos o maior prêmio de produtividade de área irrigada do Brasil e, também, vencemos em produtividade na região pelo CESB, graças ao uso de insumos e manejos escolhidos adequadamente em 70 áreas monitoradas pela plataforma de Agricultura Digital da Bayer, o Fieldview™. Nós nunca tivemos tanta oportunidade de avanço científico como nos últimos 3 anos. A grande oportunidade científica foi a integração de dados, o cruzamento das informações, que é obter respostas consistentes no campo. Em 3 anos, nós conseguimos melhorar a eficiência agronômica da soja em 15%, o que isso significa? Isso seria pegar a média nacional de produtividade, que são 55 sacas por hectare, e passar a produzir 60 sacos de soja por hectare. Esse é um benefício para o Brasil e, também, um benefício global. Se eu tenho condições de registrar todos os dados que eu puder, se eu tenho camadas de informações e posso cruzá-las e analisá-las a cada ciclo produtivo, isso favorece as minhas tomadas de decisão. Dessa forma, eu consigo aprimorar e controlar melhor as práticas agronômicas em minha fazenda, tenho um melhor controle das etapas produtivas e aumento o nível de assertividade. 

 

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O que falta para o Brasil conseguir atingir um nível maior de adoção das plataformas da Agricultura Digital?

A Agricultura Digital é revolucionária, não tem volta. Nós precisamos primeiro confiar na pesquisa. Na área médica, isso é feito muito bem, nenhum diagnóstico é dado sem tecnologia, por que não usar essa premissa na agricultura? 

A Agricultura de Precisão não conseguiu integrar as informações colhidas nas operações agrícolas. O marco histórico dentro da tecnificação da agricultura brasileira foi em 2017 quando foi lançada a agricultura digital no País. Embora isso não tenha sido ainda registrado em publicações. Nós não tínhamos nada, era tudo especulação, não tinha como integrar as camadas de dados. O produtor precisava de uma ferramenta que entregasse resultado a ele. Nós queríamos que a plataforma entregasse realmente aquilo que ela estava prometendo, mas ela tem feito mais do que isso, ela está evoluindo muito. Infelizmente, a média nacional está por volta de 50 a 52 sacos de soja, mas, olhando as áreas que usam tecnologia 4.0 da agricultura digital, elas conseguiram ter um salto produtivo de 10 a 15 sacos de soja por hectare. É disso que o Brasil precisa.

O grande produtor sabe da importância e adota a agricultura digital, agora precisamos levar as plataformas ao menor e ao médio produtor. A agricultura digital 4.0 não é só para as grandes áreas e grandes volumes de produção como muitos ainda pensam, muito pelo contrário, há inúmeras soluções de mercado, como mapas e imagens de satélite, aplicativos de monitoramento, serviços de plataformas como da Sensix, IBRA, Farmbox, Taranis, entre outras, que atendem o produtor que tem de um a mil hectares. O grande gargalo produtivo não está na grande propriedade, mas, sim, na média e na pequena. A Agricultura Digital proporcionará a integração do pequeno e médio produtor à tecnologia. 

Professor Doutor Antônio Luis SantiProfessor Doutor Antônio Luis Santi:
Docente da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) no Rio Grande do Sul.
Coordenador do LAPSul (Laboratório de Agricultura de Precisão da UFSM).
Diretor técnico da ConnectFarm.

 

 

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