Agricultura Digital e Agricultura 4.0: o que é, estratégias e como utilizar

Por Equipe FieldView™ em 03/08/2020 11:43:25

A Agricultura Digital chegou ao Brasil, oficialmente, em 2017 por meio de plataformas de integração de dados e dos avanços nos estudos na área da agricultura moderna e agricultura 4.0

Monitorando a lavoura através da Agricultura Digital e 4.0

Monitorando a lavoura através da Agricultura Digital

A sistematização das safras através da agricultura digital foi o marco da agricultura moderna. Quando a demanda mundial por alimentos começou a crescer, as famílias que sempre representaram a base da agricultura deram início a busca por maquinários e tecnologias para o campo que pudessem facilitar o manejo e intensificar a sua produção na lavoura.

Os sistemas de produção começaram a surgir e a agricultura intensiva, ou seja, aquela que exige mais insumos, ganhou o seu espaço, exigindo um apoio da ciência para impulsionar as tecnologias na lavoura e no desenvolvimento de ferramentas que pudessem contribuir para os produtores rurais em suas etapas produtivas.

A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) alertou, nos últimos anos, que, em 2050, o mundo terá mais de 9 bilhões de habitantes e que, para atender à demanda dessa população por alimentos, será necessário produzir até 70% a mais de grãos, frutas, verduras e cereais, a fim de nutrir todos os países.

Nesse contexto, a agricultura digital no Brasil, passa a ter um papel importante, já que o país é um dos maiores produtores mundiais de grãos e de carnes.

Para se ter uma ideia, de acordo com o levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado em julho, o País retomou o posto de maior produtor de soja do planeta e deverá colher um recorde de 247,4 milhões de toneladas do grão na safra deste ano.

Quais são os desafios na agricultura digital no Brasil?

Nesse cenário, é importante lembrar que devido às particularidades e desafios de um país tropical quanto ao clima, incidência de pragas e doenças, a percepção de assertividade no manejo e aumento da produtividade por área fez com que a percepção de que o manejo poderia ser mais eficiente evoluísse. No início deste século, entidades de pesquisa e a iniciativa privada, junto aos produtores rurais brasileiros, investiram no desenvolvimento de ferramentas que tinham o georreferenciamento como base operacional. O principal objetivo foi o de produzir mais por hectare. 

A Agricultura de Precisão chegou, então, aos campos, oferecendo ferramentas de automação que customizariam a produção em cada área agricultável, otimizando a utilização de insumos. As particularidades de cada ponto da lavoura passaram a ser consideradas, e não mais a lavoura como um todo, surgiu ali, também, a aplicação por taxa variável.

Quais as vantagens e desvantagens da agricultura digital?

As vantagens da agricultura digital refletem no desempenho do campo através da otimização de processos, redução de custos e no aumento da produtividade na lavoura. Por outro lado, a agricultura digital tem desvantagens como o custo custo da implantação de sistemas, adequação de máquinas agrícolas, e a falta de produtores qualificados para a operação.

Com o crescimento da população, é natural que tudo se atualize conforme o tempo vai passando. Novos hábitos alimentares e o aumento da demanda por alimentos faz com que o agronegócio impulsionado pelo agro digital, aprimorem os seus processos através dos benefícios que as tecnologias 4.0 oferece para a agricultura, reduzindo custos, otimizando métodos e aumentando a eficiência da qualidade na produção do campo com o apoio da inteligência computacional das plataformas digitais.

Quais os desafios da agricultura digital?

Por outro lado, alguns desafios do Agro 4.0 são previstos para o produtor, que precisa se adequar às ferramentas da agricultura digital que necessitam de conexão com internet para coletar e processar dados e apoiar na tomada de decisão do dia a dia na lavoura.

Agricultura digital ajudando o agricultor a monitorar plantação de milhoOs impactos da Agricultura Digital no campo

 

Que ferramentas adotar na agricultura digital

Pouco mais de 15 anos depois, os maquinários ganharam sensores e atuadores que acompanhariam cada etapa produtiva. Satélites passaram a informar condições climáticas, e o Big Data chegou ao agronegócio. O produtor descobriu que poderia ter uma maior e mais facilitada visibilidade e análises de dados sobre a sua lavoura, no entanto, a forma como ele as interpretaria seria um novo marco na história da agricultura. Naquele momento, surgia a Agricultura Digital, um novo conceito que traria um novo patamar de produtividade às lavouras brasileiras.

 

Saiba mais: Agricultura de precisão, agricultura 4.0 e agricultura digital: é a mesma coisa?

 

Entrevista com o Professor Doutor Antônio Luis Santi

Quem conta a trajetória da chegada da Agricultura Digital ao País é o Professor Doutor Antônio Luis Santi, que, desde 2003, investe o seu tempo em pesquisas nessa área e nos concedeu um bate-papo muito interessante, confira a seguir:

 

O que é Agricultura digital?

A agricultura digital ou 4.0 de acordo com o Ministério da Agricultura, contribui para as inovações e integrações de dados do agronegócio para ajudar os produtores rurais através de tecnologias de análise de dados, sensoriamento remoto, inteligência artificial, machine learning, big data, entre outras, que aumentam a produtividade.

A agricultura de precisão considera a aplicação de insumos nas áreas que apresentam maior potencial produtivo. Um exemplo: podemos utilizar dados georreferenciados para o uso da agricultura de precisão. Esses dados são obtidos com ferramentas de agricultura digital, como mapas, imagens de satélite, fotografias, sensores, câmeras e demais hardwares e softwares que contribuem para o acompanhamento da lavoura.

Portanto, tudo aquilo que agrega mais precisão e otimiza recursos para convergir em maior produtividade e sustentabilidade com o uso da tecnologia, pode ser classificado como agricultura de precisão. Já as ferramentas digitais que produzem dados para ajudar na tomada de decisão entram no universo da agricultura digital.

Vídeo do Professor Doutor Antônio Luis Santi falando sobre a agricultura digital

 

Qual o objetivo da Agricultura 4.0?

A agricultura 4.0, é um conjunto de tecnologias digitais que de forma integrada e avançadas apoiam agricultores a tomarem decisões assertivas e baseadas em dados. São desenvolvidas através de softwares que otimizam o desempenho da cadeia produtiva em todas as fases do cultivo, do plantio até a colheita.

 

O que a Agricultura Digital trouxe ao produtor que revolucionou a história da produção agrícola?

Nos últimos 3 anos, a Agricultura 4.0: melhorou a eficiência produtiva; melhorou a lucratividade do produtor e melhorou a eficiência ambiental.

A agricultura digital veio não só para melhorar o olhar agronômico, mas também para proporcionar aos produtores e seus consultores um trabalho mais assertivo, muito mais responsável tecnicamente e muito mais responsável ambientalmente.

A agricultura digital nos deu a oportunidade de ampliar o olhar agronômico e de analisar o todo dentro da agricultura moderna. Ela melhorou o que a agricultura de precisão já vinha fazendo, que é entender a variabilidade do solo e, a partir disso, evoluir e compreender o cenário da planta dentro do sistema produtivo.

A agricultura 4.0 é uma quebra de paradigma, o olhar agronômico não fica mais generalizado, ela nos proporciona fazer uma pesquisa reversa e se concentra na planta. Por exemplo, se a planta responde bem e é produtiva, o que ela está recebendo para isso, ou, ao contrário, se seu desenvolvimento vai mal, o que ela está recebendo para isso.

 Agricultura digital controlada pelo tabletAgricultor usufruindo da tecnologia da agricultura 4.0

Sobre alimentar 9 bilhões de habitantes por meio do aumento de produtividade por área, o que as pesquisas na área de agricultura digital mostraram nesses primeiros anos?

Por meio do projeto “Construindo e Desafiando a Produtividade”, em parceria com a Bayer, a Connect Farm e com a Universidade de Santa Maria (RS), nós conseguimos o maior prêmio de produtividade de área irrigada do Brasil e, também, vencemos em produtividade na região pelo CESB, graças ao uso de insumos e manejos escolhidos adequadamente em 70 áreas monitoradas pela plataforma de Agricultura Digital da Bayer, o Fieldview™. Nós nunca tivemos tanta oportunidade de avanço científico como nos últimos 3 anos. A grande oportunidade científica foi a integração de dados, o cruzamento das informações, que é obter respostas consistentes no campo. Em 3 anos, nós conseguimos melhorar a eficiência agronômica da soja em 15%, o que isso significa? Isso seria pegar a média nacional de produtividade, que são 55 sacas por hectare, e passar a produzir 60 sacos de soja por hectare. Esse é um benefício para o Brasil e, também, um benefício global. Se eu tenho condições de registrar todos os dados que eu puder, se eu tenho camadas de informações e posso cruzá-las e analisá-las a cada ciclo produtivo, isso favorece as minhas tomadas de decisão. Dessa forma, eu consigo aprimorar e controlar melhor as práticas agronômicas em minha fazenda, tenho um melhor controle das etapas produtivas e aumento o nível de assertividade. 

 

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O que falta para o Brasil conseguir atingir um nível maior de adoção das plataformas da Agricultura Digital?

A Agricultura Digital é revolucionária, não tem volta. Nós precisamos primeiro confiar na pesquisa. Na área médica, isso é feito muito bem, nenhum diagnóstico é dado sem tecnologia, por que não usar essa premissa na agricultura? 

A Agricultura de Precisão não conseguiu integrar as informações colhidas nas operações agrícolas. O marco histórico dentro da tecnificação da agricultura brasileira foi em 2017 quando foi lançada a agricultura digital no País. Embora isso não tenha sido ainda registrado em publicações. Nós não tínhamos nada, era tudo especulação, não tinha como integrar as camadas de dados. O produtor precisava de uma ferramenta que entregasse resultado a ele. Nós queríamos que a plataforma entregasse realmente aquilo que ela estava prometendo, mas ela tem feito mais do que isso, ela está evoluindo muito. Infelizmente, a média nacional está por volta de 50 a 52 sacos de soja, mas, olhando as áreas que usam tecnologia na agricultura 4.0, elas conseguiram ter um salto produtivo de 10 a 15 sacos de soja por hectare. É disso que o Brasil precisa.

O grande produtor sabe da importância e adota a agricultura digital, agora precisamos levar as plataformas ao menor e ao médio produtor. A agricultura digital 4.0 não é só para as grandes áreas e grandes volumes de produção como muitos ainda pensam, muito pelo contrário, há inúmeras soluções de mercado, como mapas e imagens de satélite, aplicativos de monitoramento, serviços de plataformas como da Sensix, IBRA, Farmbox, Taranis, entre outras, que atendem o produtor que tem de um a mil hectares. O grande gargalo produtivo não está na grande propriedade, mas, sim, na média e na pequena. A Agricultura Digital proporcionará a integração do pequeno e médio produtor à tecnologia. 

Professor Doutor Antônio Luis SantiProfessor Doutor Antônio Luis Santi:
Docente da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) no Rio Grande do Sul.
Coordenador do LAPSul (Laboratório de Agricultura de Precisão da UFSM).
Diretor técnico da ConnectFarm.

 



 

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