As pragas sugadoras são um problema na sua produção?

Por Guilherme Buck, agrônomo de desenvolvimento de mercado, Bayer

Mar 23, 2020

Ataque de percevejo ao milho safrinha

A cada nova safra, os produtores brasileiros vêm evoluindo em termos de produtividade e mostram que o país pode ajudar a suprir a demanda mundial por alimentos. Neste ano, a expectativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é ter uma produção total de grãos de 251,9 milhões de toneladas, simplesmente a maior da história. Para esse resultado, foram necessárias técnicas agronômicas que incluem o uso de máquinas calibradas, o monitoramento de níveis de fertilidade do solo, a semeadura na época adequada, assim como o monitoramento de pragas e plantas daninhas, parte fundamental da produção agrícola.

Com a estimativa de produzir 73,3 milhões de toneladas (29% da produção total), o milho safrinha tem grande participação no resultado dos grãos brasileiros. Mas, no caso desta cultura, que é plantada usualmente entre o final de janeiro e o início de março – isso pode mudar de acordo com a região e clima –, a prática do monitoramento de pragas começa antes, próxima à colheita da soja, dado que alguns insetos presentes nesse momento podem migrar e impactar o desenvolvimento inicial do milho safrinha.

“Uma das coisas importantes é pensar o sistema agrícola como um todo. Não é na cultura do milho que o produtor vai conseguir acompanhar tudo. Ele tem que iniciar o monitoramento, principalmente no caso do percevejo, ainda na soja”, esclarece o Coordenador de Transferência de Conhecimento Milho Brasil da Bayer, Juliano Prado.

As chamadas pragas remanescentes, aquelas que permanecem na propriedade mesmo após o fim da safra de verão, podem prejudicar o desenvolvimento da lavoura que será plantada na sequência, podendo gerar grandes prejuízos econômicos à propriedade e comprometer o restante da safra.

Por isso, é importante que o produtor veja as dicas abaixo:

Saiba mais: Quer saber se sua soja está pronta para a colheita? Leia este post!

Cuidado com pragas sugadoras

Saiba quais são as principais pragas

Mas você sabe por que o monitoramento deve começar ainda no ciclo da soja? No caso do percevejo, que é uma praga remanescente da oleaginosa, ele tem a capacidade de se desenvolver junto às plantas daninhas e ficar alojado nos restos de palhada, ou ainda no próprio solo, o que permite sua sobrevivência e permanência na lavoura até o início da safrinha – a chamada ponte verde. Na prática, na segunda safra, o inseto em questão suga a seiva e injeta uma toxina no sistema digestivo da planta, prejudicando o seu desenvolvimento.

Para controlar o percevejo ainda na soja, o produtor faz o monitoramento a partir do estágio em que se inicia o enchimento do grão. “O agricultor visa reduzir a pressão de percevejo na soja para 4 a 5 insetos por metros quadrados para que, no milho, ele consiga fazer um controle mais efetivo. Às vezes, ele não controla na soja e quer fazer no milho, mas aí já é tarde, a praga está instalada com uma alta população”, ressalta Juliano Prado. 

Mas o percevejo não é a única praga sugadora a atacar a cultura do milho. A cigarrinha, por exemplo, é um inseto também sugador de seiva, que definha a planta no início do ciclo. Segundo a Embrapa, ela é capaz de transmitir doenças, como o enfezamento do milho, que é um fator determinante para reduzir a produtividade. Por outro lado, o pulgão não introduz toxinas ao consumir a seiva da planta, mas é responsável pela transmissão de diversos vírus, como a fumagina, sendo outra praga sugadora presente nos campos de safrinha.

Agora que sabemos os efeitos, como combater a presença desses sugadores? Vejamos a seguir!

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) no combate a pragas sugadoras

Você já deve ter visto por aqui algum post que mencionasse o Manejo Integrado de Pragas (MIP). Mas para aqueles que não sabem, o MIP é um sistema que associa os ambientes de produção com a dinâmica populacional da espécie. É a estratégia mais efetiva de controle de pragas na agricultura, pois consiste em um conjunto de práticas que incluem desde a dessecação antecipada, o tratamento de sementes, áreas de refúgio, até os controles químico e biológico.

O monitoramento é um passo fundamental na estratégia de adoção do MIP, uma vez que, por meio de sua realização, é possível identificar a espécie do inseto-praga e, em adição a isso, verificar se os níveis de dano econômicos à cultura foram atingidos, pois somente se alcançados é que o controle químico, utilizando inseticidas, deve ser realizado.

Para os produtores que optarem pelo uso de defensivos, há tratamento de sementes específico para mastigadoras, como as lagartas, com o uso de diamidas no tratamento industrial, além de produtos on farm, voltados tanto para mastigadoras como para sugadoras, onde faz a aquisição e o tratamento na fazenda.

Outra forma de controle existente, porém menos utilizada pelos agricultores no país, é o controle biológico com predadores ou parasitóides que atacam ovos de diversos percevejos, por exemplo Telenomus podisi (Ahsmead) e Trissolcus basalis (Wollaston), que podem auxiliar quando necessário. 

É importante salientar que, para cada tipo de praga, a recomendação de uso para defensivos é diferente. Em caso de dúvida sobre o nível de dano da cultura, consulte o site da Embrapa.

Tecnologia e inovação

Entre as inúmeras formas de verificar a incidência de pragas sugadoras no campo, acompanhar a produção agrícola por meio de plataformas de agricultura digital se tornou algo interessante. Uma dessas plataformas é o FieldView™, em que o agricultor é alertado sobre a incidência de algum problema via as chamadas Notificações do Talhão Vermelho, que demonstram se existe ou não uma variabilidade no desenvolvimento da cultura no talhão cadastrado, e se essa variabilidade em questão, que pode ser decorrência de diversos fatores, é um ataque de pragas indesejado na lavoura.

Entre os clientes da Climate, um agricultor de Primavera do Leste, no Mato Grosso, identificou uma variabilidade (coloração mais avermelhada no mapa) em seu talhão através dos mapas gerados pelo Diagnóstico FieldView™. Ao visitar a área, ele constatou um ataque de cigarrinhas nas bordas do pivô. Sabendo que esse era um problema recorrente, dado que na região se planta milho safrinha, o agricultor já havia decidido por testar quais eram os híbridos mais tolerantes à doença transmitida pela cigarrinha. 

Comparando os mapas dos híbridos com os mapas de produtividade, o produtor percebeu que os híbridos testados na parte superior e inferior do pivô tiveram resultado positivo em relação ao ataque de cigarrinhas, não sofrendo tombamento e produzindo mais. Para aqueles híbridos que não performaram tão bem, o impacto ocorreu em 90 dos seus 182 hectares, resultando em uma menor produtividade. 

pivo cigarrinha

Saiba mais: Entenda como a evolução das colheitadeiras reduz prejuízos na produção

Sabe o que é o FieldView™?

O FieldView™ é uma plataforma de agricultura digital que auxilia o produtor a coletar e a visualizar informações sobre seus talhões, para que a tomada de decisão seja precisa, evitando prejuízos. Curtiu o nosso conteúdo? Deixe seu comentário abaixo, pois a sua opinião é muito importante nós. E você que utiliza o FieldView™, compartilhe a sua experiência. Para mais dicas, siga as nossas redes sociais (@climatefieldviewbr). 😊

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