Cigarrinha-do-milho: saiba como identificar o inseto e as doenças que transmite à cultura

Por Equipe FieldView™

Aug 16, 2021

Conheça as características dessa praga e as enfermidades que provoca à lavoura, como os enfezamentos

A cigarrinha-do-milho causa danos diretos e indiretos à lavoura (Crédito: Embrapa)

 

O milho representou cerca de 38% da produção brasileira de grãos na safra 2020/21, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). 

Porém, estimativas da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) indicam que esse número poderia ser ainda melhor porque os produtores perdem, anualmente, mais de um US$ 1 bilhão pela ocorrência de pragas e doenças. 

Para se ter dimensão do tamanho dessa perda de receita, as exportações brasileiras de milho, somente entre janeiro e abril de 2021, foram de US$ 1,2 bilhão. Já no ano de 2020, os embarques do grão para o exterior atingiram US$ 5,9 bilhões, de acordo com o Ministério da Economia. 

Um inseto que ganha importância cada vez maior nos milharais brasileiros é a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), que não apenas provoca prejuízos diretos, mas principalmente transmite doenças com alto potencial de danos à lavoura.

Neste artigo, você fica sabendo como identificar essa praga no campo e conhece os dois principais patógenos que transmite à cultura do milho

 

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O que é a cigarrinha-do-milho?

Dalbulus maidis é uma das espécies de cigarrinhas que infestam a lavoura de milho. É bem adaptada às condições tropicais do Brasil, sendo favorecida pelo plantio do milho safrinha. 

Esse inseto tem a cor branco-palha, podendo apresentar-se levemente acinzentado. O adulto da cigarrinha mede em torno de 3,5 a 4,5 mm de comprimento, possui duas pequenas manchas pretas na parte dorsal da cabeça e asas semitransparentes. 

Já os ovos possuem coloração esbranquiçada, quase transparente, medindo em torno de 1 mm de comprimento. Adultos e ninfas vivem em colônias no cartucho e em folhas jovens do milho, onde se alimentam, sugando a seiva da planta.

A praga faz a postura sob a epiderme da folha, preferencialmente na nervura central do cartucho da plântula. As ninfas são de coloração amarelo-clara, medem 1 mm no primeiro estágio e chegam a 4 mm no último estádio.

Cada fêmea pode pôr de 400 a 600 ovos. A temperatura ideal para incubação é em torno de 26° a 28°C, e dura de 8 a 10 dias. 

Após a emergência das ninfas, essas vivem em colônias junto aos adultos, preferencialmente dentro do cartucho do milho, onde ficam mais abrigadas. 

 

Adultos e ninfas da cigarrinha vivem em colônias no cartucho e folhas jovens do milho 

 

A longevidade dos adultos pode chegar a 8 semanas. O ciclo de vida da cigarrinha dura em torno de 25 a 30 dias, considerando uma temperatura média de 25°C.

Esse inseto, habitualmente, migra de lavouras com plantas adultas para outras com plântulas recém-emergidas. Sua presença ocorre desde a fase de estabelecimento da cultura, preferindo atacar plantas jovens.

Por isso, lavouras com plantas em diferentes idades favorecem que as cigarrinhas migrem das plantas adultas para as mais novas. 

 

Quais são os danos causados pela cigarrinha-do-milho?

Dalbulus maidis é um inseto sugador, que causa prejuízos diretos à lavoura. Isso porque a sucção da seiva faz com que a planta perca o vigor, ficando mais suscetível à instalação de doenças e fragilizada na matocompetição com daninhas, por exemplo.

Porém, o maior potencial de dano da cigarrinha na lavoura de milho é indireto. É que esse inseto é transmissor de diferentes patógenos, como as bactérias da classe mollicutes, que são causadoras dos enfezamentos do milho, e do vírus que provoca o raiado fino ou virose risca (Maize Raiado fino virus).

 

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Conheça as doenças provocadas pelo Dalbulus maidis no milho

  • Enfezamento do milho

O enfezamento do milho tem se destacado entre as doenças mais preocupantes para a cultura nas últimas safras, com perdas severas em diversas regiões do país. 

Segundo a Embrapa, as perdas devido aos enfezamentos podem chegar a 100%, em função da época de infecção e da suscetibilidade da cultivar plantada.

O enfezamento é provocado pelos mollicutes, que são micro-organismos patogênicos que sobrevivem apenas nessa cultura. 

Há dois tipos de enfezamentos: o enfezamento-pálido (causada por espiroplasma) e o enfezamento-vermelho (causada por fitoplasma). A distinção entre as duas em campo com base apenas nos sintomas da planta é muito difícil. 

 

             Planta de milho com enfezamento pálido (à esq.) e com enfezamento vermelho (à dir.)  (Foto: Phytus Group)

 

As plantas com enfezamento apresentam os seguintes danos:

  • Redução da absorção e assimilação de nutrientes pela planta;
  • Redução na capacidade de produção de fotoassimilados;
  • Redução de crescimento e desenvolvimento;
  • Entrenós curtos;
  • Proliferação e malformação de espigas; 
  • Espigas improdutivas (menores e com falhas);
  • Grãos mal formados e chochos;
  • Enfraquecimento dos colmos, com favorecimento às infecções fúngicas que resultam em tombamento.

De maneira geral, quando a infecção ocorre cedo, a planta fica pequena e não cresce. Daí o nome de “enfezamento”, como se a planta ficasse enfezada. 

 

Sintomas do enfezamento pálido no milho (Foto:  Rodrigo V. Costa/ Embrapa)

 

Espiga de milho normal e outra que foi afetada pelo enfezamento da planta (Foto: E Sabato)

 

  • Raiado fino

O sintoma dessa virose é a formação de pequenos pontos cloróticos nas folhas que podem coalescer com o avanço da doença, formando linhas ao longo das nervuras. Isso pode ser visualizado nas folhas de plântulas ou plantas adultas de milho. 

Segundo a Embrapa, no Brasil a sua incidência geralmente está associada à ocorrência dos enfezamentos, porém essa correlação entre as duas doenças ainda precisa ser esclarecida

Pode afetar diretamente tanto a capacidade produtiva da lavoura, quanto o potencial de  venda do produto por perda de qualidade, reduzindo os lucros do produtor.

Isso acontece porque a planta atingida pelo raiado fino tem raízes menos desenvolvidas, altura mais baixa, apresenta espigas menores, com poucos ou sem grãos, e ainda com grãos murchos ou deformados.

A planta pode cair por conta de deficiência no desenvolvimento das raízes ou por ataques de fungos. É possível que apresente ressecamento, amarelamento ou avermelhamento das folhas, principalmente na parte superior. A planta também pode secar precocemente, antes do momento da colheita.

 

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O raiado fino forma linhas ao longo das nervuras das folhas da planta

 

Como a cigarrinha transmite doenças ao milho?

A cigarrinha adquire os mollicutes (fitoplasma ou espiroplasma) quando se alimenta da seiva de uma planta de milho doente. Esse patógeno fica alojado em suas glândulas salivares. Posteriormente, no ato de sucção de seiva das plantas sadias, liberam o conteúdo salivar, espalhando a contaminação. 

A infecção com mollicutes ocorre na plântula de milho em estádios iniciais de desenvolvimento. Esses micro-organismos patogênicos proliferam nos tecidos do floema e a planta apresenta os sintomas do enfezamento apenas na fase de produção.

Nem todas as cigarrinhas que chegam em uma lavoura de milho jovem são infectantes com mollicutes. Mas, segundo os pesquisadores da Embrapa, ainda não há ferramenta prática que ajude a identificar no campo quais estão ou não infectadas.

 

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Para conviver com a cigarrinha, é necessário ajustar o sistema de produção do milho 

Neste texto, aprendemos a identificar a cigarrinha-do-milho e conhecemos as doenças que essa praga provoca na cultura. Dominar esses conhecimentos no dia a dia do campo é fundamental para se manejar esse inseto com assertividade. 

Também é importante monitorar de perto a presença da cigarrinha, o que permite tomar as melhores decisões de controle. Para isso, o produtor pode contar com as funcionalidades da agricultura digital, como a Climate FieldViewTM - plataforma de agricultura digital da Bayer.

Além disso, vale uma outra dica contra essa praga: o treinamento dos profissionais que atuam no campo, capacitando-os no reconhecimento das doenças causadas pelo inseto e na adoção de medidas possíveis para ajustar, na fazenda, o sistema de produção do milho.

Isso porque o produtor e seus funcionários não devem estar prontos apenas para minimizar os danos do enfezamentos e do raiado fino, mas também precisam usar práticas que permitam a convivência com a cigarrinha na rotina da lavoura.

Segundo a pesquisadora Elizabeth de Oliveira Sabato, da Embrapa Milho e Sorgo, nem todas as cigarrinhas-do-milho são portadoras dos mollicutes. “Por isso, é importante saber reconhecer a doença, adotar as medidas que vão contribuir para evitar os enfezamentos e conviver com a praga”, conclui. 

 

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