O agronegócio no Brasil: onde chegamos e o que podemos esperar?

Por Equipe FieldView™

Apr 01, 2021

Responsável por 26% do PIB em 2020, o agro do país investe em tecnologia para se manter entre os maiores exportadores mundiais de alimentos e fibras

Máquina colheitadeira na lavoura

A safra de grãos 20/21 do Brasil deve bater recorde: 133,7 milhões de toneladas

 

Como está o agronegócio no Brasil?

O agronegócio brasileiro se supera ano após ano, posicionando o país como uma das potências mundiais do setor e grande produtor e exportador de diferentes produtos, como soja, milho, celulose, café, carne bovina e de frango, açúcar e suco de laranja.

O agronegócio brasileiro se supera ano após ano, posicionando o país como uma das potências mundiais do setor e grande produtor e exportador de diferentes produtos, como soja, milho, celulose, café, carne bovina e de frango, açúcar e suco de laranja. 

Mas nem sempre foi assim! O Brasil se consolidou como um player global nesse setor nos últimos 25 anos. 

Conheça, nesse artigo, a história do agronegócio no Brasil, as intensas transformações que o setor passou nos últimos 50 anos e o que se pode esperar para o futuro do agro.

SAIBA MAIS: Afinal, o que é agricultura?

A origem da agricultura no Brasil

A história da produção agrícola no Brasil começou pouco depois da chegada dos portugueses. Teve início na região Nordeste, no século XVI, com o cultivo da cana-de-açúcar.

As primeiras mudas chegaram ao Brasil em 1933. Eles acreditavam nas palavras de Pero Vaz de Caminha, que dizia: “aqui se plantando, tudo dá”. 

Só a partir do século XVIII começou a atividade cafeeira. Essa cultura, importante para o agronegócio no Brasil, propiciou o desenvolvimento de diferentes regiões, sobretudo a partir do século XIX quando o café passou a liderar as exportações, logo após o declínio da mineração.

Mas a atividade começou a entrar numa crise global por volta de 1900, provocada principalmente pela queda dos preços da saca do grão no mercado internacional. Processo que levou o Brasil à maior diversificação da atividade agrícola.

Essa mudança ganhou força principalmente a partir da década de 1940, com o aumento da urbanização do país e a necessidade de maior produção de matérias-primas.

 

Produção de café no Brasil

Desde o Século XVIII a cafeicultura tem grande importância econômica para o Brasil

 

A modernização da agricultura brasileira

Apesar do início da diversificação, a agropecuária brasileira não apresentava muita inovação em meados do século passado. Prevalecia o trabalho braçal. Naquela época, menos de 2% das propriedades rurais contavam com máquinas agrícolas.

Segundo o portal “A Trajetória da Agricultura Brasileira”, da Embrapa, praticamente não existiam pesquisas no país.

Faltavam conhecimentos sobre solos e variedades, eram escassas as recomendações de manejos e as tecnologias da informação eram quase desconhecidas no campo.

O resultado era o baixo rendimento por hectare e pequena produção, que passou a ser insuficiente para atender à demanda interna, num período de industrialização e crescimento populacional.

O agronegócio no Brasil iniciou uma fase de modernização entre 1960 e 1970. Um marco foi a criação da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) em 1973, que, com o tempo, estabeleceu unidades de pesquisa em diferentes regiões do país, trabalhando com variadas culturas.

 

Imagem de cima da Embrapa Soja em Londrina/PR

A Embrapa Soja foi criada em 1975, no Campo Experimental de Londrina (PR)

 

Esse foi um passo fundamental para fomentar a reestruturação produtiva no campo, por meio da incorporação de tecnologias e da expansão agrícola para novas fronteiras, como o Cerrado. 

Um dos frutos desse processo de desenvolvimento do agro brasileiro foi a adesão a métodos agrícolas que melhoram a qualidade do solo. 

A adesão a boas práticas agronômicas possibilitaram realizar o plantio sem precisar revolver o solo, rotacionando culturas e utilizando da palhada como cobertura. O Sistema de Plantio Direto (SPD) passou a ser adotado no país, que hoje é referência mundial nessa prática.

Sistema de plantio direto

O Sistema de Plantio Direto trouxe vários benefícios para agricultura brasileira

 

Com o tempo, a agricultura brasileira tornou-se terreno fértil para diferentes tecnologias disruptivas

Com o avanço da engenharia genética e a chegada das biotecnologias, muita coisa mudou no melhoramento. O desenvolvimento de novas cultivares com diferentes atributos genéticos ficou mais preciso, eficiente e, eventualmente, mais rápido.

Como o caso da primeira soja geneticamente modificada, a Soja RR (Roundup Ready), tolerante ao herbicida glifosato. Flexibilizando muito o manejo das plantas daninhas no campo. 

 

SAIBA MAIS: Manejo Integrado de Pragas e resistência: qual o papel da biotecnologia?

 

Também foi desenvolvida a biotecnologia Bt, permitindo que cultivos, como os de soja e milho e algodão, estivessem protegidos do ataque de pragas chave, como lagartas desfolhadoras. 

O campo também assistiu outros avanços, como o desenvolvimento das defensivos agrícolas mais seguros e tecnológicos, de máquinas e implementos, de melhores práticas de manejo, de técnicas de irrigação e adubação

Plantação de milho crescendo

Em 2019 o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e tornou-se o maior exportador mundial de milho

 

Qual a importância do agronegócio no Brasil

Os fatores que impulsionaram a produção agrícola nacional e o resultado da incorporação dessas inovações tecnológicas, deu um salto no país entre 1975 e 2017. A produção de grãos, que era de 38 milhões de toneladas, cresceu mais de seis vezes, atingindo 236 milhões, enquanto a área plantada apenas dobrou. Esse desenvolvimento consolidou o agronegócio no Brasil como um dos pilares da economia do país. 

De acordo com cálculos do Cepea, em 2020 o segmento alcançou participação de 26,6% no Produto Interno Bruto brasileiro, contra 20,5% em 2019. Em 1970, a participação do agro no PIB era de 7,5%.

O avanço do setor é evidente quando se compara o crescimento da produção em relação à área ocupada pelo agribusiness. Basta conferir o rendimento médio (quilos por hectare) das lavouras de arroz, feijão, milho, soja e trigo, entre a década de 70 e os anos 2000.

Destaque para os aumentos de rendimento de 346% para o trigo, de 317% para o arroz e de 270% para o milho, segundo a Embrapa.

A revolução agrícola dos últimos 40 anos teve um grande efeito transformador na sociedade brasileira e é, de acordo com a CNA, o fato mais importante da história econômica recente do Brasil.

 

Máquina agrícola colocando soja no caminhão

O avanço da agricultura brasileira para novas fronteiras, como o cerrado, permitiu ao país alavancar a produção de alimentos

Qual é a importância do agronegócio no Brasil?

O Brasil é o terceiro maior produtor de alimentos do mundo, ficando atrás apenas da China e dos EUA. Além disso, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), só em 2020, o Brasil exportou comida para mais de 180 países. Confira o desempenho brasileiro em alguns deles.

  • SOJA

Recentemente o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e passou a ser o maior produtor e exportador mundial de soja, que é uma das principais commodities do mundo. 

Na safra 2019/2020, após bater recorde de produção do grão (cerca de 125 milhões de t), o Brasil embarcou 70,7 milhões de toneladas, tendo a China como principal cliente

E os sojicultores brasileiros continuam se superando, devendo bater um novo recorde de produção em 2020/21: mais de 136 milhões de t.

 

  • MILHO

O grão mais produzido e comercializado no mundo é o milho, que é o segundo grão mais cultivado pelo agronegócio brasileiro. 

Depois de obter significativo crescimento de produção nos últimos 20 anos, o Brasil passou a ser, em 2019, o maior exportador mundial. 

Em 2020/21, a produção nacional de milho bateu recorde, atingindo 108,2 milhões de t.

 

  • CANA-DE-AÇÚCAR

Também é importante na pauta de exportações do agronegócio brasileiro o Complexo Sucroenergético, cujos produtos são oriundos do cultivo da cana-de-açúcar. 

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial do açúcar derivado dessa planta, além de ser o segundo maior produtor mundial de etanol. 

E o país nunca comercializou para o exterior tanto açúcar como em 2020: 30,8 milhões de t.

Plantação de cana-de-açúcar

O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, que é matéria-prima para a produção de açúcar e etanol

 

  • CAFÉ

Outro produto do agro brasileiro que é sinônimo de tradição é o café. O país é o maior  exportador e maior produtor mundial desse produto há 150 anos - o Brasil responde por um terço da produção do planeta. 

E o café foi responsável por outro recorde brasileiro em 2020. As exportações brasileiras do grão atingiram 44,5 milhões de sacas de 60 kg, considerando a soma dos produtos verde, solúvel e torrado & moído.

Mas o sucesso do Brasil na produção e exportação de produtos como soja, milho, açúcar e café não é fruto do acaso. Diferentes fatores contribuíram para o crescimento do agronegócio no Brasil ao longo das últimas décadas, como:

  • Apoio governamental;
  • Investimento em pesquisa e desenvolvimento;
  • Incorporação de novas tecnologias e manejos produtivos;
  • Abertura de novas fronteiras agrícolas, como o cerrado e o Matopiba;
  • Expansão da demanda externa por produtos agrícolas, além do fortalecimento da demanda interna;
  • Disponibilidade de crédito rural;
  • Surgimento interno de um setor forte de fornecimento de insumos, máquinas e tecnologias agrícolas;
  • Produtores rurais cada vez mais interessados em inovações.

SAIBA MAIS: Afinal de contas, o que é a Agricultura Digital e Agricultura 4.0?

 

Homem dirigindo colheitadeira com tecnologia embarcada

Equipamentos com tecnologia embarcada levaram maior eficiência para as operações no campo

 

Incorporação tecnológica do agro: da agricultura 3.0 às ferramentas digitais 

O processo de transformação do agronegócio brasileiro tomou corpo com o surgimento da Agricultura 3.0, caracterizada pela agricultura de precisão e pela busca de práticas cada vez mais sustentáveis.

Foi importante para conferir a precisão nas operações a utilização do GPS em máquinas agrícolas

Essa ferramenta trouxe para o campo a possibilidade de elaborar mapas detalhados da lavoura, com base em amostras do solo georreferenciadas, e outras informações relevantes como uso de taxa variável.

 

SAIBA MAIS: Agricultura de precisão, agricultura 4.0 e agricultura digital: é a mesma coisa?

Campo aberto com o monitoramento gráfico através da tecnologia 4.0 na agricultura brasileira.

Tecnologia 4.0: A agricultura brasileira passa por um acelerado processo de digitalização 

 

Mas, no início dos anos 2000, o modelo de produção agrícola deu um novo salto. Em conexão com a agricultura digital, passaram a ser usadas máquinas mais modernas, veículos autônomos, drones, robôs com sensores. 

Nasceu a agricultura 4.0, marcada pela automação, conectividade e geração de dados sobre a atividade agrícola, permitindo maior precisão, acuracidade e assertividade nas decisões tomadas no dia a dia do campo.

Nesse contexto, o campo passou por um processo acelerado de digitalização, que incorporou tecnologias como IoT, Inteligência Artificial, robótica, Big Data, dentre inúmeras outras ferramentas que surgem a cada dia no setor, voltadas a levar maior eficiência, produtividade e redução de custos com a lavoura.

Dentro desse processo acelerado de incorporação das tecnologias 4.0 através da aceleração do agronegócio no Brasil, surgiu a agricultura digital, caracterizada pela utilização dos dados coletados da agricultura para melhorar o gerenciamento da lavoura.

SAIBA MAIS: O "bem casado" da ciência de dados e da agricultura

Mas, ao longo dessa jornada de desenvolvimento do setor, um fator tem sido fundamental para o desempenho cada vez melhor do agro brasileiro: o protagonismo dos agricultores. Eles têm gerido suas lavouras com profissionalismo cada vez maior, com o propósito de aperfeiçoar os resultados do negócio.

Investem em capacitação, aliam práticas modernas com respeito ao meio ambiente, realizam testes de campo para entender melhor seus ambientes de produção e não têm medo de buscar inovações para tirar o máximo de cada metro quadrado da fazenda.

FIQUE POR DENTRO: Entenda como a tecnologia 4.0 pode potencializar o resultado da sua lavoura

 

Homem no campo monitorando a lavoura através da digitalização no agronegócio brasileiro.

A digitalização chegou para ficar no agronegócio brasileiro

 

Qual é o futuro do agronegócio do Brasil?

Se nos últimos 50 anos, o agronegócio brasileiro cresceu e se tornou um importante fornecedor de alimentos e fibras para o mundo, no futuro esse processo tende a se acelerar, em sintonia com a expansão da demanda global – estima-se que a população mundial atinja 8,5 bilhões de pessoas em 2030.

Mas os ventos que impulsionaram o agronegócio brasileiro a partir de 1970 serão outros ao longo das próximas décadas. 

Confira alguns fatores que influenciarão diretamente o futuro do nosso agro:

  • Agropecuária mais sustentável

As inovações científicas e o uso de novas tecnologias são essenciais para aumentar a produção, mas com maior sustentabilidade. A cobrança por atividades agropecuárias com baixo impacto ambiental e social tende a ser cada vez mais forte, especialmente por parte do mercado internacional.

A agricultura e a pecuária devem ter maior protagonismo na luta contra as mudanças climáticas, por meio da incorporação de práticas e tecnologias que permitam a redução das emissões de gases de efeito estufa, como plantio direto e rotação de culturas.

ENTENDA POR QUÊ: A digitalização do campo pode ser caminho para uma agricultura mais sustentável


  • Modernização da gestão do agribusiness

A evolução do mercado vai exigir cada vez mais profissionalização das empresas familiares. 

Nos últimos anos, existe um forte movimento de governança corporativa e modernização dessas empresas, o que tende a ganhar mais força no setor nos próximos anos, gerando oportunidades de desenvolvimento dos negócios e novos procedimentos corporativos.

CONFIRA: A engenharia em Climate FieldView™: inovação no coração da agricultura digital

 

  • Incorporação de novas ferramentas tecnológicas

O setor das agtechs vai crescer ainda mais, acelerando no agronegócio a incorporação de novas ferramentas tecnológicas, como a ciência de dados, IoT, Big Data, robótica, veículos autônomos, Inteligência Artificial, mapas e imagens de satélites, Machine Learning, em sintonia com um movimento ainda mais forte de transformação digital.

Máquinas automatizadas e teleguiadas, individualização do gado para melhor tratamento durante a engorda, análise dos dados por imagem com recursos da Nasa e domesticação microbiológica são alguns dos temas ligados à tecnologia que prometem modificar de vez o setor.

 

OUÇA O EPISÓDIO 08 DO NOSSO PODCAST:  Hubs de Inovação - Quem são os integrantes do ecossistema das soluções inovadoras?

 

Nova call to action

 

  • Avanço da biotecnologia

Produzir mais com menos pautará, cada vez mais, o agronegócio. Para tanto, as tecnologias estarão focadas em genética avançada, melhoria da eficácia de uso dos recursos de produção, e manejo inteligente dos fatores redutores de produtividade.

Nesse contexto, a biotecnologia propiciará novas variedades geneticamente modificadas, permitindo avanços em proteção de culturas e ganhos de produtividade, advindo, por exemplo, da diversificação das tolerâncias a herbicidas em variedades produzidas com esse tipo de tecnologias, em culturas como soja, milho e algodão.

Pode-se projetar outras conquistas nessa área, como a introdução de características de tolerância à seca na soja e no milho, e de aumento de biomassa e a proteção contra insetos na cana-de-açúcar.

 

  • O agro no pós-pandemia

O mundo depois da Covid-19 também deverá exigir mudanças do setor agropecuário. Novos mecanismos de intercâmbio entre países passarão a ser adotados tendo em vista a pandemia, com maior controle sanitário e tecnologias de rastreamento.

VEJA TAMBÉM: Como será a agricultura digital nos próximos anos?

 

Mão digitalizando no campo através da agricultura digital

No Brasil, 36% dos agricultores já usam ferramentas online

 

Para produzir mais e melhor, o agronegócio brasileiro sempre está pronto as inovações

Estima-se que os alimentos embarcados pelo Brasil sejam responsáveis pela alimentação de cerca de 800 milhões de pessoas ao redor do mundo. 

Mas isso só tornou-se realidade porque, ao longo dos últimos 40, 50 anos, a sociedade brasileira entendeu que investir no agronegócio no Brasil é estratégico para o país.

O setor apenas é responsável, hoje, por cerca de um quarto das riquezas geradas no Brasil porque o produtor brasileiro aceitou ingressar de vez na agricultura moderna, o que significou aprimorar a gestão e apostar no desenvolvimento tecnológico. 

Apesar disso, os desafios do agro continuam, como continuar aumentando a produção pelo crescimento vertical da lavoura, tornar o negócio cada vez mais sustentável, reduzir custos, investir na qualidade da produção e da distribuição. 

O bom é que o agricultor pode contar com vários aliados tecnológicos para encarar esses desafios, como a agricultura de precisão, a Inteligência Artificial, o IoT, a robotização e os drones, o Big Data, a agricultura digital etc. 

E o produtor brasileiro está cada vez mais aberto a essas inovações. Somente como exemplo, um estudo da Embrapa e da McKinsey mostra que a agricultura brasileira é mais digital que a norte-americana. No Brasil, 36% dos agricultores usam ferramentas online, contra 24% nos EUA. 

Além das citadas acima, o agro brasileiro já está pronto para acolher outras novidades tecnológicas que estão a caminho. Afinal, temos “um mundo” para ajudar a alimentar.  

 

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Nova call to action

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