Como saber se o milho está pronto para a colheita?

Por Equipe FieldView™

Jun 01, 2020

Milho partido_Linha de leite_pronto para colheita

A seca causada pelo efeito climático El Niño no segundo semestre de 2019 e no início deste ano impactou o plantio e o desenvolvimento da soja, preocupando os produtores de milho safrinha que tiveram que lidar com uma janela de cultivo mais curta e, consequentemente, se planejar diante das incertezas e riscos ao seu negócio. Entre as soluções encontradas para superar os obstáculos desse período, o plantio de híbridos superprecoces e hiperprecoces ajudou os produtores a colherem o milho no período adequado, reduzindo possíveis impactos.

De acordo com a consultoria Agroconsult, a segunda safra de milho 2019/20 no Brasil está estimada em 71,7 milhões de toneladas. As colheitadeiras já começaram a atividade em boa parte das regiões produtoras, no entanto, observar o ponto ideal para a colheita de uma cultura é importante para garantir a qualidade do produto na entrega dos grãos. O milho que será destinado à silagem, por exemplo, deve ser colhido antes do ponto de maturação ideal do grão para assegurar os diferenciais nutricionais necessários à produção dos gados de corte e leite.

Dicas para saber o momento ideal da colheita

A observação visual da planta é o primeiro passo para a identificação da fase de desenvolvimento do milho em cada talhão. Segundo Clever Matyak, Engenheiro Agrônomo da área de Desenvolvimento de Mercado em Proteção de Cultivos para Milho, na Bayer, o ponto de maturidade fisiológica caracteriza que a planta chegou ao momento para a colheita, no entanto, os grãos ainda não estão no melhor momento para a operação.

Por meio da coloração amarelada das folhas, nota-se que a lavoura já está chegando à fase final do seu ciclo. Um ponto destacado pelo agrônomo é que, em alguns momentos, esse processo de identificação pode não ser tão preciso, já que as diferentes características dos híbridos podem fazer com que a planta, mesmo em estágio final, permaneça com a folhagem verde.

Verificar a umidade dos grãos é o segundo passo. Para isso, o produtor deverá observar o movimento da linha de leite. A linha do leite demarca a matriz líquida (açúcares) do grão, ela a separa da matriz sólida (amido) e, conforme aumenta o índice de matéria seca, muda de posição do sentido da coroa para a base (onde se insere o grão na espiga). Conforme ela desce para a base, para a espiga, e se estiver com um ponto preto, o milho atingiu a maturidade fisiológica e estaria, teoricamente, pronto para ser colhido, ou seja, com maior volume de matéria seca, mas ainda com uma umidade alta. (figura abaixo).

Segundo a Embrapa Milho e Sorgo, com cerca de 18% a 25% de umidade nos grãos, a colheita já pode acontecer, desde que o material colhido seja submetido a uma secagem artificial para um armazenamento seguro.

Caso haja ocorrência de chuvas durante a colheita, o produtor deverá esperar que as espigas sequem para retomar a atividade, visto que o produto não deve ser armazenado úmido, evitando problemas como a proliferação de fungos e bactérias no milho.

LInha de Leite_fonte agronomica

Fonte: Steve Butzen

A linha de leite pode ser observada na figura acima, sendo destacada pela parte central da espiga. Quanto menor essa área, maior o volume de matéria seca.

“Quanto mais tempo a planta ficar na lavoura, maior será o risco de ela sofrer com intempéries como vento, chuvas, além da pressão de insetos e outras pragas”, afirma Clever. “O investimento em secagem artificial compensa uma possível perda de produção”, acrescenta.

O teor de umidade está relacionado, ainda, com a integridade dos grãos diante do trabalho das colheitadeiras no campo. O grão muito seco pode sofrer diante da mecanização do processo, e os grãos muito úmidos exigirão um investimento extra do produtor em secagem.

Embora haja um teor recomendado de umidade para a colheita, monitorá-la em todas as áreas é importante para uma regulagem adequada das máquinas. Para que ocorram menos danos, a melhor umidade para a colheita fica entre 16% e 18%, pois, abaixo desses valores, o grão poderá partir no momento da debulha, caso a máquina não esteja bem regulada. “Abaixo deste percentual, o grão perde a maleabilidade”, chama a atenção Clever.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a área de lavouras de milho destinadas à produção de silagem no Brasil fica em torno de 15%, incluindo milho safrinha e safra verão. O milho que tem como destino a silagem deve apresentar diferenciais nutricionais, especialmente carboidratos, para a alimentação do gado. Para que o milho tenha integralmente as características necessárias à produção pecuária, os produtores devem considerar o volume de matéria seca presente na cultura e, ainda, observar a linha de leite que deve estar visível em 1/3, aproximadamente, do grão. Nesse momento, o milho para silagem já poderá ser colhido.

O planejamento da colheita exige atenção a fatores como incidência de chuvas, reparo nas colheitadeiras e plataformas, além de tempo hábil para a execução da atividade nos talhões. A janela de colheita é curta, e o produtor terá que se preocupar ainda com o manejo seguinte das culturas de cobertura para a manutenção da integridade do solo.

Saiba mais: https://blog.climatefieldview.com.br/colheu-a-safra-de-verao-veja-o-que-fazer-no-pos-colheita

Registro de dados da safra

Em safras desafiadoras, correlacionar as soluções agronômicas conta como uma alternativa para o futuro. O registro dos híbridos utilizados em cada talhão, o nível de dano causado pela pressão de insetos, o desenvolvimento vegetativo de cada área, a identificação de maior ou menor umidade, além de dados como o custo investido em cada momento, são fatores cruciais para que o produtor repita a solução que deu certo no futuro.

O monitoramento das atividades no campo permite ainda um conhecimento aprofundado acerca de cada talhão. Segundo o produtor Guiverson Bueno, de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, que planta 485 hectares de safrinha e acompanha o índice vegetativo de sua lavoura pelas imagens de satélite do Diagnóstico FieldView™ da Climate, plataforma de agricultura digital da Bayer, é possível observar uma diferenciação de cor nas áreas em que as plantas de milho já estão mais secas. “Nos pontos mais altos dos talhões, eu consigo observar que a cor não está mais verde, dá para ver que o índice vegetativo é menor e isso facilita meu planejamento de colheita”, relata o produtor”.

Clever Matyak explica que o FieldView™ consegue aferir o índice de massa verde das plantas. “Dependendo da quantidade de folhas e de um melhor desenvolvimento da cultura, o mapa gerado apresenta uma escala maior da cor verde”, indica o agrônomo. “A medida que essa escala de cores se aproxima do amarelo ou do vermelho, o diagnóstico mostra uma menor presença de matéria verde”, aponta.

“No caso acima, o Guiverson usa o diagnóstico para se preparar para a colheita, no entanto, se as cores vermelha e amarela aparecerem em outras fases de desenvolvimento da cultura, o agricultor receberá um alerta para a verificação do talhão em questão e entender, após uma visita técnica, os motivos desse menor desenvolvimento das plantas”, esclarece o agrônomo.

Para mensurar a produtividade, Guiverson também utiliza a ferramenta que mostra os indicativos produtivos em cada talhão, especialmente para diferenciar o desempenho de diferentes materiais. “Fiz um teste populacional há algumas safras, onde acrescentei 10% de plantas de um novo híbrido em um hectare. Percebi, com o Fieldview™, que consegui um ganho de 4 ou 5 sacas a mais naquela área, ou seja, este percentual pagou o meu investimento e ainda lucrei, porque fiz ali exatamente o mesmo manejo e adubação que nas áreas onde plantei outros híbridos”, conta Giverson. “Com este tipo de análise, consigo fazer um melhor planejamento para a próxima safra, sei qual cultivar vou plantar e em qual área”, conclui. “Já dá para confiar que está chegando o ponto de colheita”, arremata.

Por meio do Plano Plus, o produtor pode ainda, conferir os resultados da colheita linha a linha do seu talhão. A medida que a máquina trabalha, é possível entender, no detalhe, onde o retorno foi maior. Além disso, se durante a colheita o maquinário indicar alguma irregularidade, o aplicativo mostrará o problema. Dessa forma, o produtor poderá parar a operação e retomar a atividade após o reparo do maquinário.

Mediante a leitura dos dados coletados com a ferramenta, é possível verificar o resultado dos testes de práticas agronômicas implementados durante a safra e identificar zonas de alta e baixa produtividade, além de cruzar os resultados com os mapas, verificando se as cultivares desempenharam dentro do esperado. Os relatórios de subtalhão são outra facilidade do Plano Plus, pois permite a verificação do impacto de manchas nos mapas, ajudando o produtor na correção de solo para as próximas safras.

“Com todo este detalhamento, o produtor tem em mãos a possibilidade de corrigir problemas em relação à produção, identificar manchas recorrentes e resolvê-las antecipadamente por meio de uma técnica diferente da utilizada anteriormente no manejo da área. O encerramento da colheita é o momento de tirar conclusões sobre erros e acertos, baseadas, única e simplesmente, em dados reais”, finaliza Clever.

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