Agricultura de precisão e agricultura digital: é a mesma coisa?

Por Guilherme Buck, agrônomo de desenvolvimento de mercado, Bayer

Apr 24, 2020

tecnologia ajuda agricultor a monitrar propriedade rural

Nas últimas décadas, o agronegócio passou por diversas transformações. Visando atender às maiores necessidades dos produtores, como atingir elevados tetos produtivos, otimizar o uso de recursos nas áreas de plantio e ter um melhor trato com o solo, novas técnicas foram implementadas na agricultura. Para ter maior eficiência, agricultores passaram a cuidar de seus campos de forma customizada, analisando a necessidade específica de cada talhão, ao invés de olhar para a área como única. 

Esse sistema de gerenciamento agrícola que considera as particularidades de cada ponto da propriedade é conhecido como Agricultura de Precisão (AP). Não é algo propriamente novo. Há relatos do seu uso nas fazendas ainda no início do século 20. No entanto, o processo ganhou corpo com os primeiros mapas de monitoramento de produtividade na Europa, nos anos 1980, ao mesmo tempo em que começava uma estratégia de aplicação de insumos em taxa variável nos Estados Unidos.

Nas propriedades brasileiras, os primeiros relatos do uso desse sistema decorrem de meados dos anos 1990. A sua aplicação foi intensificada com o aprimoramento do GPS (Sistema de Posicionamento Global por Satélites, na tradução para o português), o que possibilitou a instalação de receptores em semeadoras, colheitadeiras e pulverizadores, associando os dados de produtividade com as coordenadas geográficas através do auxílio de satélite.

Embora alguns possam confundir o conceito entre a agricultura de precisão e  agricultura digital - já que elas são usadas de maneira conjunta em muitas propriedades rurais -, não se trata da mesma coisa e é preciso entender o papel de cada uma e seus benefícios para a produção agrícola.

Se a agricultura de precisão considera a aplicação de insumos nas áreas que apresentam maior potencial produtivo, nós podemos classificar a agricultura digital como um conjunto de tecnologias que auxiliam o produtor a acompanhar mais de perto as atividades rurais, como softwares e dispositivos responsáveis pela coleta e o processamento de dados sobre a fazenda.

Um exemplo: podemos utilizar dados georreferenciados para o uso da agricultura de precisão. Esses dados são obtidos com ferramentas de agricultura digital, como mapas, imagens de satélite, fotografias, sensores, câmeras e demais hardwares e softwares que contribuem para o acompanhamento da lavoura.

Portanto, tudo aquilo que agrega mais precisão e otimiza recursos para convergir em maior produtividade e sustentabilidade com o uso da tecnologia, pode ser classificado como agricultura de precisão. Já as ferramentas digitais que produzem dados para ajudar na tomada de decisão entram no universo da agricultura digital.

Vejamos abaixo como a coleta e o processamento de informações em plataformas digitais podem ajudar no monitoramento da fazenda.

Saiba mais: Entenda como o plantio em taxa variável contribui para a agricultura

A agricultura de precisão e digital podem ser grandes parceiras do produtor

Entenda a importância do monitoramento em cada ponto do talhão

drones de agricultura digital ajudam no uso de insumos para a agricultura de precisao

Diferente das técnicas de plantio convencionais, que consideram a média do tamanho da propriedade para a aplicação de insumos, a agricultura de precisão leva em conta as diferenças na produtividade da fazenda, mesmo entre talhões próximos. Essas diferenças podem levar a custos desnecessários quando a utilização de insumos acontece de forma sempre uniforme. 

Nesse aspecto, uma dica seria o produtor olhar para a propriedade e fazer a aplicação apenas nos pontos necessários. Entre as culturas de grãos, a soja e o milho têm registrado bons resultados com a estratégia de considerar as particularidades de cada ponto da fazenda. Mas, as frutas, o café e o feijão também se adequam bem a esse sistema. 

A maior quantidade de informações qualificadas e a evolução de estudos sobre o uso de AP no campo têm incentivado a adesão de mais produtores. No entanto, o avanço de ferramentas e dispositivos no âmbito da agricultura digital é outro ponto que contribui para a execução da agricultura de precisão. Os sensores e as câmeras utilizados nos maquinários, como semeadoras, colheitadeiras e pulverizadores, permitem uma análise mais precisa sobre o que acontece nas propriedades rurais. Esses equipamentos geram dados, que são processados através dos dispositivos e plataformas digitais.

Dessa forma, os produtores podem avaliar o nível de biomassa e argila presentes no solo e a capacidade de absorção de nutrientes; definir o uso milimétrico de sementes nas linhas de plantio, de acordo com as áreas de maior fertilidade; e utilizar fertilizantes e corretivos, a exemplo de calcário e gesso, apenas nos pontos necessários. Isso tudo contribui para o crescimento sadio da planta e aumenta as chances de desenvolvimento adequado do grão.

Esse maior volume de informações através da agricultura digital e o uso de dados no campo para o manuseio da agricultura de precisão, podem reduzir a degradação do solo e culminar em menor impacto ambiental, gerando fazendas mais sustentáveis; tem a possibilidade de resultar em mais sacas de grãos por hectare, otimizando todo o processo da produção brasileira de grãos; e, talvez, até diminuir os custos da lavoura - um dos aspectos mais importantes, uma vez que a maior parte dos insumos são importados.

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A tecnologia nas propriedades rurais

A estimativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é de que cerca de 67% das propriedades rurais brasileiras utilizem algum tipo de tecnologia no seu dia a dia, seja diretamente, no processo produtivo, ou na gestão da fazenda. São diversas opções como a geolocalização através de GPS, a análise de dados por meio de Big Data, o uso de inteligência artificial e a inserção de aparelhos com conectividade (Internet das Coisas) em máquinas e ferramentas, tornando-as cada vez mais interligadas, entre outras opções. 

Com esse amplo leque de novas tecnologias, não é só possível entender as reais necessidades da fazenda, como também ter maior eficiência e garantir a sustentabilidade do processo produtivo no longo prazo. Por outro lado, esse universo de opções depende do manuseio correto das ferramentas, que, por sua vez, pode ter o auxílio de profissionais capacitados.

Para ampliar ainda mais a parcela de produtores conectados e baratear o uso de tecnologias no campo, o Ministério da Agricultura resolveu criar, ao final de 2019, a Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão e Digital (CBAP).

Essa comissão tem como função fomentar técnicas e difundir a importância da agricultura de precisão e digital, principalmente no aspecto de promoção da sustentabilidade; apoiar programas de formação profissional, como capacitação de técnicos e trabalhos científicos; e reduzir os custos para a utilização da agricultura de precisão no campo, visando atender cada vez mais um número maior de produtores, como os que possuem pequenas e médias propriedades.

A comissão tem integrantes do Ministério da Ciência e Tecnologia, representantes de diversas associações do agronegócio, instituições de pesquisa e assistência técnica, tanto pública, quanto privadas, o que pode ajudar ainda mais a fomentar políticas públicas e estratégias para o setor.

Como as plataformas influenciam no dia a dia do campo

Como vimos, a evolução de maquinários, aliada às pesquisas que focam na adoção de ferramentas tecnológicas no campo, podem contribuir diretamente na gestão da fazenda e nos custos de produção. No entanto, é preciso ressaltar que as ferramentas e plataformas de agricultura digital não só beneficiam o uso localizado de insumos (agricultura de precisão), como auxiliam para melhorar o monitoramento da propriedade rural e o controle do processo produtivo como um todo.

O FieldView™, plataforma de agricultura digital da Bayer, oferece diversas opções de ferramentas ao produtor, como geração de mapas das operações de plantio, pulverização e colheita, recursos como a adição de marcações georreferenciadas em pontos de interesse nos mapas, notificações que avisam ao produtor em caso de alguma variabilidade no desenvolvimento da lavoura, a confecção de prescrições de sementes e fertilizantes em taxa variável, entre outras funcionalidades que contribuem no manejo do dia a dia. 

Cabe lembrar que todas essas soluções de processamento de dados visam facilitar o uso de técnicas agronômicas no momento em que a operação tem início no campo. Com essa infinidade de recursos, os produtores podem cruzar informações sobre o histórico da fazenda, como a data de início da semeadura, os produtos utilizados na pulverização e a produtividade colheita, para a tomada de decisão sobre quais insumos devem ser comprados na próxima safra, bem como quais manejos deverão ser realizados, por exemplo. Se tratando da safra vigente, ainda é possível, através da utilização desses recursos, corrigir possíveis erros durante as operações com o maquinário, a exemplo de uma pulverização mal realizada, semeadora com problemas no plantio, entre outros. 

Isso demonstra, de forma prática, como os dados coletados pelos dispositivos que englobam a agricultura digital podem ser usados para proporcionar mais eficiência à agricultura de precisão. Todas essas soluções são desenvolvidas para manter a longevidade e a sustentabilidade dos campos, na propriedade rural.

Sabe o que é o FieldView™?

O FieldView™ é uma plataforma de agricultura digital que auxilia o produtor a coletar, visualizar e processar as informações sobre seus talhões, para que a tomada de decisão seja precisa, evitando prejuízos. Curtiu o nosso conteúdo? Deixe seu comentário abaixo, pois a sua opinião é muito importante para nós. E você que utiliza o FieldView™, compartilhe a sua experiência. Para mais dicas, siga as nossas redes sociais (@climatefieldviewbr) 😊

 

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