Saiba como a mosca-branca e os percevejos podem devorar a rentabilidade do produtor rural

Por Equipe FieldView™

Dec 21, 2020

Com grande potencial de danos, esses insetos trazem muitos prejuízos para culturas de importância econômica, como soja, milho e hortaliças. Contra essas ameaças, a principal estratégia é o monitoramento bem-feito. Conheça em detalhes essas pragas e confira como a agricultura digital pode ser aliada no manejo desses inimigos alados

 

Percevejo-verde-da-soja

Percevejo-verde-da-soja

Podem ser pequenos, mas não se engane! Os insetos estão entre os maiores inimigos da agricultura moderna. Estima-se que, em geral, consumam cerca de 40% da produção agrícola mundial, segundo Franck Courchamp, diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França. Problema que tende a aumentar significativamente com as mudanças climáticas.

“No reino dos seres vivos, a classe de insetos abrange aproximadamente 2,5 milhões de espécies e é provavelmente o grupo que mais causa prejuízos", alerta o pesquisador francês, pontuando que setores como agricultura, saúde e infraestrutura são os mais afetados.

No Brasil, esse cenário não é diferente. Um dos principais inimigos dos agricultores no país são os percevejos, que estão entre as pragas mais agressivas em diferentes culturas, com potencial para tirar o sono dos produtores de duas das maiores atividades agrícolas do país, a soja e o milho.

Preocupante em diferentes culturas, como feijão, algodão, soja e olerícolas, a mosca-branca é outra praga presente em todo o território nacional e que tem provocado prejuízos econômicos crescentes ao agricultor.

A seguir, vamos conhecer melhor as características e os hábitos desses dois insetos de grande incidência na agricultura brasileira. Descubra também os prejuízos que podem provocar e os principais métodos de manejo e controle para cada um deles.  

 

Percevejos: um problema crescente para as grandes culturas agrícolas

São inúmeras as famílias e espécies de percevejos. O principal diferencial entre eles é o hábito alimentar. Podem ser predadores, hematófagos, zoofitófagos ou fitófagos.

No complexo de percevejos, o grande problema para a agricultura são os fitófagos. Atacam um grande número de espécies de plantas, têm alta capacidade de dispersão e, antes mesmo do final do ciclo da cultura, já procuram hospedeiros alternativos, podendo continuar o ciclo de reprodução.

Como neste artigo vamos nos ater aos insertos que levam mais dor de cabeça às grandes culturas, confira os percevejos da família Pentatomidae, que são os que mais prejudicam as lavouras de soja e milho:

  • percevejo-marrom (Euschistus heros);
  • percevejo-verde-da-soja (Nezara viridula);
  • percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii);
  • percevejo-barriga-verde (Dichelops furcatus e Dichelops melacanthus).

“Esses insetos são, atualmente, uma das pragas mais importantes para a cultura da soja, porque interferem na produtividade e na qualidade dos grãos e das sementes”, avalia o pesquisador da Embrapa Soja, José Renato Bouças Farias. Por conta da ameaça que representam, a instituição está apostando em tecnologias que auxiliem o sojicultor no manejo integrado do complexo de percevejos.

Esse inseto afeta a qualidade dos produtos da oleaginosa, como óleo e ração animal. Também pode afetar diretamente o vigor das sementes. Um percevejo, por metro quadrado, acarreta uma redução de 49 a 120 kg de grãos. Essa variação depende da espécie de percevejo, do clima, fase da cultura, da cultivar e de sua produtividade.

Conheça melhor, a seguir, os quatro percevejos que causam mais prejuízos ao sojicultor. Conhecer bem as características, o nível de dano e os métodos de controle das principais espécies é crucial para monitorar e manejar a praga na lavoura. 

 

Percevejo-marrom (Euschistus heros)

Nas lavouras de soja do Brasil, o percevejo-marrom tem sido considerado, atualmente, uma das principais e mais abundantes pragas. Sua ocorrência tem sido ampla por todas as regiões de cultivo, tanto nas regiões mais quentes, como nas mais frias. Não raramente responde por mais de 80% do total de percevejos coletados em uma área.

CICLO DE DESENVOLVIMENTO

A soja é a principal hospedeira dessa espécie de percevejo. No período de entressafra, pode sobreviver alimentando-se de outras hospedeiras (daninhas ou cultivadas). Já nos períodos mais frios e de alimento escasso, entram em diapausa (retenção temporária do desenvolvimento) até o início da nova safra. A longevidade deste percevejo, quando adulto, pode variar de 80 a 116 dias.

DANOS

Podem atacar ramos e hastes, mas o maior prejuízo ocorre quando atacam vagens em formação, ocasionando má formação de grãos e “grãos chochos”, resultando em queda de produtividade. Os danos se tornam maiores para ninfas a partir do terceiro ínstar. Lavouras atacadas podem apresentar sintomas de retenção foliar, o que pode atrapalhar na hora da colheita e aumentar a umidade dos grãos colhidos.

IDENTIFICAÇÃO E MONITORAMENTO

Os ovos são de coloração amarela, formato de barril, geralmente depositados em pequenas colônias de 8 a 15 ovos sobre as plantas. Próximo à eclosão das ninfas, os ovos adquirem uma coloração mais rosada. A deposição dos ovos se dá preferencialmente sobre as folhas ou vagens da soja.

O adulto apresenta coloração marrom-escura por todo o corpo, com dois prolongamentos laterais do pronoto, em forma de espinhos e uma meia-lua branca no final do escutelo, característica marcante para identificação. 

O controle de pragas é essencial para combater o percevejo-marrom

Percevejo-marrom (Crédito: Embrapa)

 

Percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii)

Nativo da região neotropical, adaptou-se a explorar a soja como fonte nutricional. Alimenta-se da cultura desde o início do florescimento, até o final do ciclo da cultura. Dentre os percevejos Pentatomídeos que atacam a soja, esta é a espécie que causa os maiores danos.

CICLO DE DESENVOLVIMENTO

O Piezodorus guildinii, diferente do Euschistus heros, não entra em diapausa, sobrevivendo em plantas hospedeiras, como feijão, alfafa, ervilha, crotalárias, guandu, entre outras. Completa três gerações na lavoura de soja. Depois que dispersa, completa uma ou duas gerações na entressafra.

As infestações geralmente ocorrem das bordaduras para o centro das áreas de plantio durante o período vegetativo da soja, saindo das áreas de pousio ou de talhões adjacentes. Quando as plantas entram na fase de enchimento de grãos, a cultura se torna mais adequada para o desenvolvimento do inseto, que aumenta rapidamente sua população.

DANOS

Estudos recentes indicam ser esta espécie a mais prejudicial na soja, causando os maiores danos na qualidade das sementes e na retenção foliar anormal nas plantas. A capacidade de consumo desse inseto é mais do que o dobro em relação ao percevejo-marrom.

Devido ao seu comportamento de inserção e retirada do estilete, causa danos mais severos na parede celular. Sua alimentação inclui hastes, ramos, vagens e grãos. Quando o ataque desta espécie ocorre em hastes e ramos, gera um distúrbio fisiológico na planta, fazendo com que as hastes e ramos permaneçam verdes e as vagens sequem - fenômeno conhecido como “soja louca”.

O ataque em vagens e grãos pode reduzir o teor de óleo, perda de vigor das sementes, retardamento da maturação e transmissão de patógenos, além do abortamento de vagens e grãos.

IDENTIFICAÇÃO  E MONITORAMENTO

Os adultos medem aproximadamente 9 mm de comprimento e são de coloração verde-clara, podendo tornar-se amarelada no final da vida do inseto. Apresenta uma lista transversal marrom-avermelhada na parte dorsal do tórax, próxima à cabeça. Os ovos são pretos, em formato de “barril” e colocados em fileiras duplas, depositados, preferencialmente, nas vagens, mas podem ser encontrados na face ventral ou dorsal das folhas, no caule e nos ramos.

Identificação e monitoramento do percevejo-verde-pequeno para o controle de pragas na lavoura

Percevejo-verde-pequeno (Crédito: J. da Silva/ Embrapa)

 

Percevejo-verde-da-soja (Nezara viridula)

Com ampla distribuição nas áreas agrícolas do Brasil, o percevejo-verde da soja pode causar muitos prejuízos aos produtores, embora essa espécie, segundo alguns pesquisadores, tenha apresentado menor incidência em soja nos últimos anos. Esse inseto pode atacar outras culturas de importância econômica, como feijão, arroz, algodão e macadâmia.

CICLO DE DESENVOLVIMENTO

O percevejo-verde apresenta maior frequência na região subtropical do Brasil, podendo se desenvolver o ano todo quando a temperatura é mais amena. A taxa de desenvolvimento também é influenciada pela disponibilidade e pela qualidade do alimento disponível. Em geral conseguem desenvolver, em média, até 4 gerações por ano.

DANOS

Essa praga tem como fonte preferencial de alimento as vagens da soja. Ao se alimentar, penetram o estilete, com o qual atingem os grãos, liberando neles toxinas e danificando-os.

Os grãos atingidos apresentam drástica redução de massa, ficam deformados ou podem ser abortados quando o ataque se dá nas fases iniciais de formação. Em áreas de produção de sementes, o ataque de percevejos se torna ainda mais crítico.

O orifício de penetração do estilete do percevejo pode se tornar porta de entrada para fungos e bactérias. O potencial de dano médio diário estimado para o percevejo-verde é de 0,16 g/planta a cada 1 percevejo/planta. Esse valor é inferior ao percevejo-verde-pequeno e superior ao percevejo-marrom da soja.

IDENTIFICAÇÃO E MONITORAMENTO

Os adultos possuem coloração verde, com três pequenos pontos brancos. Os ovos são de coloração creme a amarelo, ligeiramente alongados, e tornam-se alaranjados ou rosados à medida que vão se desenvolvendo e estão próximos à eclosão.

O seu monitoramento deve ser realizado ao menos uma vez por semana, devido ao seu potencial de dano, principalmente a partir do período de R3, período em que o ataque se acentua. 

O percevejo-verde-da-soja traz prejuízo à colheita da soja

Percevejo-verde-da-soja

 

Percevejo-barriga-verde (Dichelops furcatus e Dichelops melacanthus)

O percevejo barriga-verde é uma espécie que ocorre na cultura da soja, mas sem causar danos expressivos, devido à baixa densidade populacional (menos de 15% da população de percevejos) e por ocorrer mais no final do ciclo.

Porém, a população que se desenvolve na soja poderá ser um problema para a cultura posterior, como, por exemplo, o milho safrinha ou o sorgo. Por isso, o percevejo-barriga-verde tem sido considerado uma praga de sistema, ou de cultivos que antecedem ou sucedem a soja, especialmente gramíneas. Atualmente existem duas espécies de importância econômica: Dichelops furcatus e Dichelops melacanthus.

DANOS

Diferente de outros percevejos, a espécie barriga-verde é considerada uma praga de início de ciclo nas culturas afetadas. Quando a infestação ocorre nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas, os danos são maiores.

Os prejuízos causados no milho, trigo e sorgo acontecem, principalmente, por conta da alimentação de adultos e de ninfas na base das plântulas. Ao se alimentar, o percevejo introduz o estilete e injeta toxinas nos tecidos da planta.

Assim, os prejuízos causados pelos danos do percevejo barriga-verde podem variar desde perdas médias de 30% da produção de plantas sobreviventes, até a morte de plantas e necessidade de replantio.

CICLO DE DESENVOLVIMENTO

Essa praga é favorecida pelo sistema de semeadura direta, pois a palha atua como abrigo para a sua sobrevivência. A atividade sobre as plantas é maior nas horas mais amenas do dia. Nas horas mais quentes, os adultos ficam escondidos na palhada ou em plantas daninhas hospedeiras.

O sistema de cultivo sucessivo de soja/milho tem possibilitado boas condições para desenvolvimento dessa praga. Temperaturas mais quentes favorecem o desenvolvimento e aceleram o ciclo.

IDENTIFICAÇÃO E MONITORAMENTO

Os ovos possuem coloração verde-clara e, conforme amadurecem, vão escurecendo. As ninfas possuem coloração marrom-acinzentada na região dorsal e verde no abdômen.

Ambas as espécies (furcatus e melacanthus) possuem a face dorsal marrom e a ventral, verde. O D. furcatus é ligeiramente maior, medindo cerca de 10 mm de comprimento, e tem prolongamentos laterais no pronoto, em forma de espinhos, da mesma cor do dorso. O D. melacanthus é menor (7 mm) e apresenta a extremidade dos espinhos mais escura do que o resto do dorso.

Uma das grandes dificuldades para o controle do percevejo barriga-verde é a identificação do início da infestação. Em muitos casos, quando a infestação é notada, os danos já são irreversíveis e as perdas, inevitáveis. 

Percevejo-barriga-verde prejudicando a agricultura moderna

Percevejo-barriga-verde (Crédito: Agro Bayer)

 

Práticas de manejo e controle de percevejos 

O manejo dos percevejos deve seguir os princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP), que utiliza estratégias químicas, biológicas e culturais para controlar a praga. 

Qualquer decisão é baseada nos níveis populacionais e no estádio de desenvolvimento da lavoura. Tais informações são obtidas por inspeções regulares. Assim, é possível identificar as pragas no início da infestação, definindo o momento ideal para a intervenção com defensivos.

Segundo a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), esse monitoramento da praga deve ser realizado semanalmente nos períodos mais frescos do dia e na fase reprodutiva (momento em que ocorre perdas mais significativas). 

O nível de ação deve ser iniciado quando houver 2 percevejos.m-1 na fase reprodutiva ou 4 percevejos.m-1 na fase vegetativa. Já para a produção de sementes, o nível de ação inicia quando houver apenas 1 percevejo.m-1.

O pano-de-batida é o método de amostragem bastante eficiente e confiável para a captura e avaliação de pragas presentes em uma área, sendo o mais utilizado para monitorar o nível populacional, por exemplo, dos percevejos incidentes em soja, além de insetos de modo geral.

Vale destacar que, ao se utilizar este método, utiliza-se um pano ou plástico branco de 1 m de comprimento por 1 m de largura, tendo nas bordas uma bainha onde são inseridos dois cabos de madeira. O pano, devidamente enrolado e sem perturbar as plantas, é introduzido entre duas fileiras adjacentes de soja e estendido sobre o solo. Rapidamente, as plantas das duas fileiras de soja são inclinadas sobre o pano e batidas vigorosamente, com o objetivo de deslocar os insetos das plantas para o pano.

Ao se aplicar o pano-de-batida na área, deve-se contabilizar os percevejos adultos e as ninfas grandes (3°, 4° e 5° instar). As ninfas maiores possuem tamanho igual ou maior que 0,3 cm (EMBRAPA, 2019).

Recomenda-se recorrer à aplicação de defensivos quando o nível de dano econômico é atingido, ou seja, quando se encontra dois percevejos maiores de 0,5/metro para áreas de produção de grãos e 2 percevejos maiores de 0,5/m para área de produção de sementes.

 

CONTROLE CULTURAL

É importante o controle de plantas daninhas hospedeiras ou plantas tigueras da cultura - que servem de abrigo ao percevejo -, favorecendo sua sobrevivência no período de entressafra.

 

CONTROLE BIOLÓGICO

Várias espécies de inimigos naturais são encontradas nas lavouras de soja, reduzindo as populações dos percevejos e mantendo-as abaixo do nível de dano econômico. Os parasitóides de ovos constituem o grupo de inimigos naturais mais importante. Vinte espécies de microhimenópteros já foram constatadas, sendo Trissolcus basalis e Telenomus podisi Ashmead os mais importantes. A maioria desses parasitóides atacam ovos de diversos percevejos.

 

CONTROLE QUÍMICO

Durante a floração da soja (R1 a R2) ocorre o período de colonização e se torna crescente o aumento populacional dos percevejos. Após este período, o produtor tem que ficar em alerta: o objetivo é reduzir o nível populacional antes de chegar na fase R4 (final de desenvolvimento de vagens), que é o momento de maior potencial de dano. Quanto mais elevada é a população, maior a dificuldade de controle. A aplicação preventiva de inseticidas contra os percevejos pode resultar em baixa eficiência de controle e gasto desnecessário.

A utilização de inseticidas com múltiplos mecanismos de ação vem sendo muito usual e eficaz para o controle do complexo de percevejos na cultura da soja, especialmente Neonicotinoides e Piretroides. Quando os dois são associados, é possível um efeito de choque + ação residual no manejo da praga. 

Os Piretroides são originários de compostos das flores do crisântemo. Tem efeito de choque contra as pragas, o que quer dizer que podem causar mortalidade assim que a praga se contaminar. Esse comportamento ocorre porque têm a mais rápida ação na transmissão dos impulsos nervosos.

Já a molécula usada para a formulação dos Neonicotinoides é a nicotina. O mecanismo de ação atua no sítio de nervo e músculo. Apresentam efeito residual, fator que está relacionado com a sua ação de longo prazo, sendo extremamente eficientes para controle de sugadores, assim como o Piretroides.

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Entenda por que a mosca-branca traz grandes prejuízos à agricultura brasileira

Outro inseto alado que causa grande impacto à agricultura brasileira é a mosca-branca (Bemisia tabaci), levando dor de cabeça aos produtores de diferentes culturas, como soja, feijão, algodão e hortaliças. Na prática, os ataques desse inseto são capazes de afetar o desenvolvimento das plantas, reduzir a produtividade e a qualidade da produção.

A mosca-branca prejudica o agricultor digital

Mosca-branca

 

Mosca-branca (Bemisia tabaci)

Inseto polífago (que se alimentam de diferentes fontes), essa praga está em expansão, onde se pratica as “pontes verdes”, criadas entre os cultivos sucessivos de culturas hospedeiras, como soja, feijão e algodão, bem como plantas daninhas hospedeiras. Características como fecundidade e ciclo curto contribuem para a rápida capacidade de infestação das áreas, tornando a mosca-branca uma praga de difícil controle, principalmente pelo seu hábito alimentar na parte inferior da folha.

DANOS

Os prejuízos são causados por meio da alimentação, tanto pelas ninfas quanto pelos adultos, os quais possuem aparelho bucal do tipo sugador. Há relatos inclusive de abandono de áreas de soja, nas quais houve erros de controle, tornando os prejuízos inevitáveis.

Os estragos são diversos, tanto os diretos, causados pela sucção de seiva e redução do desenvolvimento das plantas, quanto os indiretos, ocasionados pela transmissão de viroses, como o vírus causador do mosaico dourado no feijão, do mosaico comum no algodão e da necrose da haste em soja. 

Além disso, o inseto excreta uma solução açucarada que favorece o desenvolvimento de fungos (Capnodium sp.), que são formadores de fumagina sobre a superfície das folhas. Esse escurecimento, além de prejudicar o processo de fotossíntese, pode provocar a queda antecipada das folhas. 

O ataque intenso e constante pode levar ao secamento e à morte das folhas, o que pode impactar severamente na produtividade quando ocorre na fase de enchimento de grãos.

IDENTIFICAÇÃO E MONITORAMENTO

Bemisia tabaci é um inseto pequeno, que mede aproximadamente 2 mm de comprimento. Quando adulto, os dois pares de asas são recobertas por uma substância pulverulenta de cor branca. Quando em repouso, as asas são mantidas um pouco separadas, com os lados paralelos, o que deixa o abdômen visível. Nesta fase são insetos ativos e ágeis e, quando perturbados, voam rapidamente. 

CICLO DE DESENVOLVIMENTO

A ocorrência de clima quente e seco tem sido favorável para a infestação da mosca-branca. Temperaturas elevadas aceleram o ciclo de vida e aumentam o número de gerações por ano da praga, podendo alcançar até 15. Por outro lado, períodos chuvosos desfavorecem o aparecimento do inseto. A duração do ciclo de vida da espécie pode durar entre 25 e 50 dias. 

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Os desafios do monitoramento e manejo da mosca-branca

O monitoramento das lavouras é base para a tomada de decisão de controle. Como a mosca-branca pode ocorrer desde a emergência até o final do ciclo, o monitoramento deve ocorrer durante toda a safra. 

O controle é mais efetivo quando posicionado no início das infestações. A partir de altas infestações, com presença de ovos e ninfas no dossel mediano e inferior, as reinfestações são frequentes e o controle se torna mais difícil.

É importante estar atento, pois a mosca-branca pode ocorrer em reboleiras, especialmente nas bordaduras da lavoura, devido às revoadas virem de outros cultivos. As plantas escolhidas para a amostragem devem ser avaliadas no terço superior.

Algumas práticas importantes do manejo integrado de mosca-branca são:

  • Rotação de culturas;
  • Controle de plantas daninhas hospedeiras e plantas guachas;
  • Vazio sanitário efetivo; 
  • Dessecação antecipada;
  • Aplicação de inseticidas.

Devido às características do inseto, o uso de defensivos tem sido o método mais eficiente. Mas seu uso necessita de cuidados para prevenir o risco de selecionar resistência. É aconselhável não realizar aplicações preventivas na ausência da mosca. Essa prática possui baixa eficácia, reduz inimigos naturais e aumenta os custos. 

Momento de aplicação, doses, associações, rotação de mecanismos de ação e número de aplicações são alguns fatores que precisam ser definidos com grande amparo técnico, para garantir proteção aos inseticidas e prolongar a vida útil de utilização destes produtos.

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A agricultura digital é aliada no monitoramento dos percevejos e da mosca-branca

Monitorar a área é crucial para municiar o produtor com informações sobre o nível de infestação de cada talhão. Baseado nestas informações o produtor tem condições de tomar medidas assertivas contra os percevejos, a mosca-branca, ou quaisquer outras pragas presentes na área.

Depois de avaliar, o produtor pode optar por aplicar defensivos (ou não) na área. Decidir quais ações tomar pode ficar mais fácil com o uso  da agricultura digital, uma vez que oferece ferramentas que potencializam a capacidade de o agricultor monitorar a sua área. 

Ao usar a tecnologia, por exemplo, o produtor pode georreferenciar o seu monitoramento por meio da plataforma Climate FieldView, da Bayer, utilizando a funcionalidade dos "PINs" para fazer marcações e registrar informações e imagens da infestação na área. 

Uma vez tendo as marcações realizadas, outra funcionalidade, chamada Prescrições Manuais de Pulverização, pode apoiar o produtor a direcionar, de forma mais assertiva, a aplicação de inseticidas. Recurso que permite realizar aplicações customizadas de acordo com a necessidade de cada parte do talhão.

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Sabe o que é o FieldView™?

O FieldView™ é uma plataforma de agricultura digital que auxilia o produtor a coletar e a visualizar informações sobre seus talhões, para que a tomada de decisão seja precisa, evitando prejuízos. Curtiu o nosso conteúdo? Deixe seu comentário abaixo, pois a sua opinião é muito importante para nós. E você, que utiliza o FieldView™, compartilhe a sua experiência. Para mais dicas, siga as nossas redes sociais (@climatefieldviewbr).

 

 

 

 

 

 


 

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