A importância do vazio sanitário como medida que assegura a sanidade das lavouras brasileiras

Por Equipe FieldView™

Aug 24, 2020

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Imagem de vazio sanitário na Bahia (Foto: site Fala Barreiras)

Por um período pré-determinado de 60 dias do ano, o campo deve ficar sem plantas vivas de soja, esse período é conhecido como vazio sanitário. O vazio sanitário é uma medida que tem como principal objetivo reduzir a possibilidade de sobrevivência do fungo causador de uma das doenças que mais causaram perdas na cultura da soja no Brasil, a Ferrugem Asiática. 

De acordo com registros da Ageitec, Agência Embrapa de Informação Tecnológica, a primeira constatação da doença, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, em lavouras brasileiras, foi na safra 2001/02. Desse registro em diante, a doença se alastrou pelas principais regiões produtoras do País, uma vez que a disseminação da Ferrugem Asiática acontece pelo vento, que carrega os esporos, unidades de reprodução dos fungos.

O fungo causador da Ferrugem Asiática

“O fungo que causa a ferrugem-asiática é biotrófico, o que significa que precisa de hospedeiro vivo para se desenvolver e multiplicar. Ao eliminarmos as plantas de soja na entressafra, ‘quebramos’ o ciclo do fungo, ou a também chamada ponte verde, reduzindo, assim, a quantidade de esporos presentes no ambiente e retardamos possíveis ocorrências da doença na safra”, explica Anildo Betencourt, engenheiro agrônomo da área de desenvolvimento de mercado da Bayer. “A medida de eliminarmos as plantas de soja na entressafra por meio do vazio, quebramos o ciclo do fungo, reduzindo, assim, a presença de esporos no ambiente, complementa.

Danos causados pela Ferrugem Asiática

A produtividade em uma lavoura de soja pode ser reduzida em até 70% em anos em que há uma alta incidência da doença, segundo a Ageitec, isso em áreas não tratadas com fungicidas. Na safra 2002/03, a perda de grãos por ferrugem foi estimada em 3.351.392 toneladas, de acordo com a Embrapa, totalizando um prejuízo de mais de US$ 737 milhões na época aos produtores brasileiros. Isso representa, atualmente, quase 10% da produção mato grossense da oleaginosa. “O momento em que a doença acomete a cultura associado a fatores climáticos e outras variáveis ditam o nível de dano nos campos”, acrescenta Anildo. 

O vazio sanitário no Brasil

O Paraná é o 1º estado a iniciar o período do vazio sanitário no Brasil: 10 de junho. Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia iniciaram em seguida, no dia 15 de junho. Ao todo, são 13 estados e o Distrito Federal que adotam o vazio estabelecido por meio de normativas estaduais. Confira o calendário no final do post. 

O descumprimento do vazio sanitário da soja pode gerar, inclusive, multas aos produtores. No caso do Mato Grosso do Sul, por exemplo, a multa pode chegar a R$ 25 mil. No Distrito Federal, as multas variam de R$ 15 mil a R$ 50 mil. Em cada estado, há um órgão que acompanha e fiscaliza o vazio sanitário da soja. No Distrito Federal, por exemplo, a secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (SEAGRI) é responsável pela fiscalização e oferece até um canal para dúvidas e denúncias: gesav@seagri.df.gov.br ou pelo telefone 3051-6422 (WhatsApp).

Benefícios do vazio sanitário

Pesquisadores do Cepea (Centro de Pesquisas Econômicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), da Universidade de São Paulo, mostram que, na safra 2016/2017, o custo dos produtores de soja com fungicidas foi de R$ 8,3 bilhões, 96% usados para controle da ferrugem. 

“É possível, por meio da adoção do vazio sanitário, que os produtores reduzam custos de manejo, aumentem a eficiência de suas lavouras e obtenham, dessa forma, uma melhor rentabilidade na soja”, conclui o engenheiro agrônomo. “Outro benefício é uma durabilidade maior das moléculas fungicidas, já que a mutação genética do patógeno é muito rápida e o processo do estudo e inserção de novos produtos no mercado não seguem a mesma tendência”, explica Anildo.

“Além da eliminação das plantas de soja voluntárias, durante o vazio sanitário, o correto manejo das doenças é um complemento à estratégia de controle da doença”, recomenda Betencourt. “O produtor jamais deve descartar a necessidade de fazer o monitoramento da lavoura desde o início do desenvolvimento da cultura, além de planejar aplicações preventivas de fungicidas para manter a proteção da cultura”, encerra.

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(fonte quadro: site Canal Rural)

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