Entenda o funcionamento da fertilidade nos solos brasileiros e como ele impacta a saúde das lavouras

Por Equipe FieldView™

Aug 10, 2020

A compreensão sobre o tema vai além da otimização de insumos na lavoura, ela auxilia também na conservação dos recursos minerais que dão origem aos fertilizantes químicos. A maioria deles é importada e sua fonte é não renovável.

Solos Brasileiros

Além de luz, água, oxigênio e gás carbônico, as plantas necessitam dos macro e micronutrientes essenciais para crescerem saudáveis. O solo é o principal provedor desses elementos, por essa razão, entender como sua constituição impacta a produtividade de cada área do talhão é essencial para planejar a aplicação de fertilizantes de forma racional e auxiliar as plantas para que elas expressem ao máximo o seu potencial genético e, consequentemente, produtivo. 

Um solo fértil é aquele com capacidade de trocar tanto os macros quanto os micronutrientes entre a solução do solo e a vegetação que nele se desenvolve. A Embrapa explica que os macronutrientes são os elementos de que a planta necessita em quantidades maiores, e os micronutrientes, aqueles dos quais elas precisam em porções menores. Os macronutrientes mais importantes para o desenvolvimento das plantas são o nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K). Além desses, também são essenciais o cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S). Quanto aos micronutrientes, os principais para as plantas são: boro (B), molibdênio (Mo), cobre (Cu), ferro (Fe), cobalto (Co), zinco (Zn) e manganês (Mn), entre outros.

Quando o solo não possui o equilíbrio desejado entre os nutrientes, as plantas passam a absorver aqueles elementos que estiverem disponíveis na condição de reserva, com isso, a questão do equilíbrio pode se agravar com relação à condição inicial. 

De acordo com Guilherme Buck, engenheiro agrônomo da área de desenvolvimento de mercado da Bayer, durante as safras, as culturas acabam consumindo em grandes quantidades, além do nitrogênio e fósforo, os elementos que consistem no equilíbrio das bases, que são o cálcio, o magnésio e o potássio. “Quando há uma diminuição desses nutrientes nas áreas, o que acaba predominando no solo são os íons alumínio (Al+3) e o hidrogênio (H+), ambos interferindo diretamente na redução de pH e consequente redução de disponibilidade de outros nutrientes. Esse desequilíbrio, provocado pelo uso intenso do solo ou pela falta de reposição adequada durante ciclos anteriores, provoca a necessidade de reposição adequada, a fim de que sejam retomados os níveis críticos mais indicados para que o produtor consiga explorar o máximo do potencial produtivo, tanto das variedades, cultivares ou híbridos cultivados quanto do próprio solo, havendo, portanto, a necessidade de correção através da calagem, gessagem e adubação propriamente dita, com o intuito de favorecer os índices desejados no solo, a fim de que o sistema agrícola, como um todo, seja beneficiado”, explica o agrônomo. 

A calagem promove a disponibilidade de cargas no perfil do solo, para que ele mantenha seu potencial de retenção e troca de nutrientes elevado. “Além da correção de solo, é importante lembrar que existem práticas capazes de elevar a qualificação do solo, como é o caso do plantio direto, sendo uma prática e técnica de manejo que contribui com a manutenção de matéria orgânica no solo, favorecendo ainda mais o equilíbrio da fertilidade do solo”, lembra Guilherme Buck. 

Em linhas gerais, em se tratando de fertilidade de solo, não há um fator ou outro que seja mais ou menos importante, pois são diversas variáveis, e irá depender pontualmente de tudo o que estiver ocorrendo em uma determinada região, dentro de cada propriedade, em cada parte do talhão, diferenciando-se em zonas de manejo dentro de uma mesma área. Por isso, faz-se extremamente importante a coleta de amostra de solo e, consequentemente, a análise e a interpretação dos resultados de forma mais específica e particular possível, para que sejam atendidas pontualmente as devidas demandas. 

Dessa forma, todo esse preparo pré-semeadura, no que diz respeito à fertilidade do solo, irá favorecer sempre o desenvolvimento de uma das partes mais importantes das plantas, ou seja, o sistema radicular, pois, certamente, o potencial da planta, em atingir o seu máximo, dependerá do seu sistema radicular e, consequentemente, da sua capacidade fotossintética.

Já o engenheiro agrônomo Armando Parducci, que também é diretor do IBRA (Instituto Brasileiro de Análises), explica que a concentração de nutrientes que se diferencia nas glebas é heterogênea, por isso, é importante verificar a variabilidade do solo. Segundo um levantamento anual da Embrapa Solos junto ao IAC (Instituto Agronômico de Campinas), embora haja um crescimento de 15% na procura por análises de solo, cerca de 20% dos produtores de grãos brasileiros ainda não usam as amostragens como referência para o planejamento de correção e adubação dos solos. “É importante lembrarmos que os recursos minerais que dão origem aos fertilizantes químicos são finitos e que, muitas vezes, uma aplicação por taxa fixa pode não estar trabalhando com o atendimento a uma necessidade específica da cultura naquelas determinadas áreas, fazendo ainda com que o produtor invista sem necessidades com esses recursos, ou não direcione o investimento da forma mais adequada”, lembra Guilherme Buck, da Bayer. “A funcionalidade ‘Prescrições Manuais de Fertilizantes’ do FieldView™ permite que o produtor desenhe facilmente as áreas onde deverão acontecer as correções e aplicações de corretivos e fertilizantes por taxa variável no mapa, que poderá ser transportado para a máquina e, consequentemente, para o operador que irá seguir aquela rota e taxa de aplicação pré-designada”, defende o engenheiro agrônomo.

Hoje, há uma grande facilidade para o produtor fazer análises de solo e, posteriormente, se houver necessidade, fazer correções de fertilidade. O IBRA, por exemplo, dispõe de um aplicativo, o FieldPoint, desenvolvido para auxiliar o consultor técnico, ou o próprio produtor, no registro das informações durante a amostragem de solo.

Outro diferencial, o IBRA utiliza o SpecSolo, desenvolvido com a Embrapa Solos, que, em apenas 30 segundos, analisa o carbono orgânico total e a classe textural do solo (argila, silte e areia). “Associando o uso desta tecnologia (SpecSolo) a outros parâmetros de fertilidade, inseridos ao Fieldview™, o produtor conseguirá obter uma eficiência enorme na correção do solo com o uso correto de fertilizantes, pois as análises serão muito mais assertivas, contribuindo com a responsabilidade ambiental”, defende Armando, do IBRA.

O diretor da instituição explica que, por meio dos mapas históricos de satélite disponíveis no Fieldview™, os produtores têm condições de avaliar o desenvolvimento vegetativo de suas áreas. No caso de o mapa indicar alguma irregularidade nesse aspecto, o produtor saberá, por meio do georreferenciamento, onde deverá coletar as análises. “Com o aplicativo FieldPoint, ao coletar as amostras nos locais indicados na lavoura pelo mapa, o responsável pela coleta saberá exatamente as particularidades do solo naquela área do talhão e poderá levar as informações deste diagnóstico para o Fieldview™, facilitando o planejamento da correção e, ainda, possibilitando que o produtor avalie safra a safra como progrediu este trabalho”, conta Armando. “Vale ressaltar também que a correção não surte um efeito imediato, o solo vai recobrindo suas características safra a safra”, acrescenta.

Armando explica que as análises de solo, de forma geral, consideram a camada de 0 a 20 e 20 a 40 cm do solo, mas que, caso o produtor se interesse em recomendação de correções de solo para fins de obtenção de melhores produtividades, poderá verificar a situação da subsuperfície em mais uma camada, como de 40 a 60 cm. “Esta camada poderá indicar a capacidade das raízes se desenvolverem e resistir aos períodos de estiagem”, exemplifica o diretor do IBRA. “As corretas correções e adubação favorecem o desenvolvimento radicular das plantas que se aprofundam cada vez mais com acesso à água”, conclui.

É fundamental que realizemos a análise de solo para aplicar as quantidades corretas de fertilizantes e corretivos. Ainda podemos considerar a análise de solo como um dos melhores investimentos na agricultura. 

Para Guilherme Buck, a agricultura digital junto ao melhoramento genético permitirão que as plantas tenham cada vez mais capacidade de produzir mais, de forma mais eficiente. “A agricultura 4.0 permite que haja um uso mais racional de fertilizantes e outros insumos, como sementes, por exemplo. Somado a isso, as biotecnologias e germoplasmas desenvolvidos e disponíveis ao mercado permitem uma planta mais adaptada a cada ambiente, imaginem o quanto a agricultura moderna se beneficiará disso”, chama à atenção Buck.

Além do IBRA, a Climate, plataforma de agricultura digital da Bayer, se integra a diversas outras plataformas e soluções de mercado que permitem que o produtor gerencie os seus recursos e as etapas produtivas de forma cada vez mais detalhada. Conheça os nossos parceiros.

Leia mais: Como as ferramentas da agricultura digital impactam o seu negócio

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