Um dos maiores desafios enfrentados pelos produtores é, sem dúvidas, a proteção da lavoura contra pragas, plantas daninhas e doenças.
Ao longo dos anos, a evolução tecnológica da pulverização permitiu que o controle fosse cada vez mais eficiente e preciso – pelo uso de pulverizadores mais modernos, pela melhoria nos próprios defensivos e também pelo recente avanço da chamada agricultura digital.
Antigamente os pulverizadores eram menores e tinham uma menor capacidade de tanque. Na prática, isso significava que o mesmo equipamento precisava entrar mais vezes na lavoura, já que a área de cobertura era menor. Além de mais ineficiente, isso gerava um custo maior com combustível e muitas perdas por amassamento.
Além disso, não existia sistema GPS. A qualidade e a precisão das pulverizações, por conta disso, eram problemas recorrentes. A demarcação das áreas a serem pulverizadas era feita na base da contagem das linhas de soja, o que podia gerar dois tipos de falhas: o remonte, pois acabava-se aplicando duas vezes na mesma faixa sem querer, e a maior incidência de pragas e doenças quando alguma área ficava sem receber nenhum produto.
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A Patrícia Faria, gerente do Grupo Sementes Vitória em Rio Verde, Goiás, acompanhou de perto essa mudança. Segundo ela, o surgimento dos pulverizadores auto-propelidos com sistema de GPS e piloto automático foi um grande avanço, muito impulsionado pelo aparecimento da ferrugem asiática no início dos anos 2000. A doença – de difícil controle até hoje – exigiu dos produtores e dos fabricantes de máquinas um controle de aplicação mais assertivo e eficaz.
Com o advento da agricultura de precisão, microprocessadores, sensores e aparelhos de GPS passaram a ser acoplados nos pulverizadores. O uso dessa tecnologia trouxe para os agricultores uma maior segurança, já que o próprio equipamento traça automaticamente a rota ideal para o talhão, evitando assim, remontes e áreas desprotegidas.
Além disso, com o passar do tempo, novas tecnologias foram surgindo: hoje existem equipamentos que regulam a distância entre as rodas, diminuindo perdas por amassamento, outros que efetuam automaticamente a troca das pontas de acordo com a velocidade da aplicação e modelos que combinam assistência de ar nas barras com o carregamento eletrostático das gotas, por exemplo.
Mas mesmo com tanta tecnologia, ainda existem muitas dúvidas com relação à qualidade das operações no campo. A vazão recomendada está sendo efetivamente utilizada? A velocidade da aplicação é a correta? Será que a bordadura está sendo feita corretamente? Essas eram algumas das perguntas que a Patrícia se fazia.
"O FieldView™ me trouxe a resposta para várias dessas perguntas e me trouxe maior visibilidade da qualidade das aplicações na fazenda. Com ele, consigo ver facilmente se a dosagem está correta, se o pulverizador andou na velocidade recomendada ou se alguma área teve falha na aplicação"
A utilização de aplicativos para coleta de dados de campo e o processamento em mapas e relatórios por plataformas de agricultura digital como o FieldView™ permitiu que as informações já disponíveis nos monitores das máquinas chegassem mais rápido às mãos dos produtores. Segundo a Patrícia, por mais que a tecnologia presente nos auto-propelidos permitisse a geração de mapas, esse processo era muito trabalhoso: era necessário salvar todos os dados em um pendrive, levar para a concessionária fazer a leitura em um software específico, esperar às vezes dias pelo processamento dessa informação para, no fim, obter um mapa em PDF com a vazão média do talhão.
"O FieldView™ melhorou muito a qualidade da operação na fazenda, ele me dá uma segurança de saber o que está acontecendo no campo e avaliar meus investimentos. Não adianta você ter o melhor produto e não atingir o alvo: o investimento foi errado, vai deixar parte da área ser descoberta e a planta vai ficar desprotegida"
E diversas outras soluções estão surgindo. A própria Patrícia, por exemplo, testou um sistema de monitoramento que identifica a quantidade e a localização de ervas daninhas no talhão e gera uma prescrição de aplicação.
Segundo ela conta, a experiência foi muito positiva: o sistema identificou as regiões do pivô que foram afetadas pela buva e criou uma prescrição de pulverização específica para essas áreas. Isso permitiu que eles pudessem economizar em produto, já que a aplicação ocorre só nas zonas afetadas, evitando desperdícios, e também em combustível – com um menor uso do defensivo, não houve necessidade de reabastecimento. Além disso, a prática é muito mais sustentável e eficaz.
O interessante foi o uso das duas soluções combinadas: como 100% da pulverização é mapeada através do FieldView™, eles puderam averiguar as áreas onde houve aplicação, qual foi a quantidade de produto utilizada e calcular a economia de recursos que o uso dessa solução possibilitou.
Com a aceleração da digitalização da agricultura, diversas outras tecnologias e aplicativos têm surgido no mercado.
O uso de drones na pulverização, por exemplo, já é realidade no Brasil – essa tecnologia permite que o agricultor utilize a dose exata e faça o controle com muito mais precisão, trazendo economia de recursos e mais eficiência. Além disso, os drones também têm sido utilizados no monitoramento da lavoura: usando câmeras com sensores multi e hiperespectrais acoplados, o agricultor tem a possibilidade de enxergar o desenvolvimento de suas plantas com mais detalhes e, portanto, ter um diagnóstico mais preciso do que está acontecendo em sua lavoura e quais ações podem ser tomadas para protegê-la.
O controle de pragas e doenças também pode ser feito utilizando o celular: soluções como as da Aegro e as marcações georreferenciadas do FieldView permitem que o produtor registre seu monitoramento e, tendo uma maior visualização das infestações, faça um manejo mais assertivo.
O uso de imagens de satélite para acompanhar o desenvolvimento vegetativo da lavoura também tem crescido, auxiliando na detecção de possíveis manchas e na priorização das áreas a serem visitadas.
A tecnologia vai permitir que o produtor conte cada vez mais com dados e informações precisas de sua fazenda, tendo um maior controle operacional e uma melhor tomada de decisão. Este, aliado aos manejos e tratos culturais adequados, é o próximo passo para novos patamares de produtividade.
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