Colheu a safra de verão? Veja o que fazer no pós-colheita

Por Paula Arruda, gerente de marketing de produto, Bayer

Apr 03, 2020

Plantio de trigo para o pos-colheita

No processo da produção agrícola, o produtor realiza todo o preparo da área com extrema atenção, visando obter grãos de maior qualidade e o aumento dos índices de produtividade. Isso inclui semear na época e com a população recomendadas, verificar o desenvolvimento da lavoura, estar atento ao controle de pragas, doenças e plantas daninhas, bem como acompanhar as condições climáticas da propriedade e trabalhar com o maquinário bem calibrado em todas as etapas da produção.

Contudo, terminada a colheita de grãos no campo, as preocupações com a propriedade não param, mesmo após o fim da safra de verão, uma vez que o cuidado com o pós-colheita é tão importante quanto as outras etapas de cultivo.

Pós-colheita x Pousio agrícola

Ao contrário do pousio - período em que a propriedade passa a entressafra em "repouso" e sem uma cultura de interesse plantada ou manejo realizados na área - a prática do pós-colheita, se bem feita, ajuda a diminuir a incidência de pragas, melhorar a atividade biológica e a capacidade de absorção de nutrientes do solo, contribuindo para o alcance de patamares mais produtivos a médio e longo prazos.

O que chamamos de manejo pós-colheita, na verdade, consiste em um conjunto de práticas agronômicas visando a preparação do solo para a próxima safra. Nessa linha, especialistas não recomendam deixar a área descoberta ou em pousio. Ou seja: caso opte por não plantar uma cultura subsequente, o produtor rural deve semear uma cultura de cobertura. 

“É muito importante que o agricultor saiba que esse cuidado pode ajudá-lo. Às vezes, o resultado não vem imediatamente. No entanto, o melhor trato realizado pode impactar positivamente para o aumento da produtividade na próximas safras de verão”, ressalta o gerente de Herbicidas para Desenvolvimento de Mercado da Bayer, Felipe Stefaroli. 

Esse manejo de cobertura tem papel fundamental na proteção e preservação do solo, colaborando com o melhor controle de plantas daninhas a partir da palhada gerada pela cultura plantada.

Saiba mais: Confira aqui algumas dicas para potencializar a colheita

Atenção aos cuidados do solo no pós-colheita

Para ajudar o produtor rural, elencamos os principais pontos de atenção e benefícios do pós-colheita. Veja mais:

O banco de sementes

Um ponto importante, quando falamos em manejo pós-colheita, é entender a dinâmica do banco de sementes de plantas daninhas e como isso compõe a forma de manejo da área. Após a colheita, ainda ficam no solo inúmeros tipos de sementes de plantas invasoras em dormência, onde, tendo condições favoráveis para seu desenvolvimento, como água e nutrientes, vêm a germinar.

A preocupação com uma área de pousio é exatamente evitar essas condições para a germinação das plantas, o que acarreta em uma série de dificuldades de manejo por parte do agricultor quando for realizar a dessecação. Quando as plantas daninhas ficam livres de competição com outra cultura e não encontram nenhuma barreira física - a palhada, por exemplo -, crescem e se desenvolvem de forma muito rápida. 

“A briga também acontece pela incidência de luz. Feita a cobertura, a semente da planta daninha acaba não germinando e morre no solo, porque ela não consegue se desenvolver”, acrescenta Stefaroli.

O uso de herbicidas

É preciso alguns cuidados antes de utilizá-los no campo. No caso dos herbicidas, especialistas recomendam esperar um intervalo de 15 a 30 dias após a colheita da safra de soja para iniciar a aplicação, caso as condições para ação do defensivo sejam adequadas.

Uma vez não plantada uma cobertura, também é necessário alertar que o manejo com herbicidas será muito mais desafiador quando a planta daninha estiver em um estágio avançado de desenvolvimento, uma vez que a dosagem de bula dos produtos aplicados poderá alcançar os maiores tetos, bem como o número de aplicações para o controle também poderá ser maior, gerando mais custos ao produtor.

A utilização do herbicida é facilitada quando se realiza o manejo pós-colheita, uma vez que, após o desenvolvimento da cobertura, o produtor poderá dessecar a área  e, com o volume de palhada gerado, continuar o trabalho de preservação do solo, bem como realizar o plantio direto.

palhada de trigo ajuda a evitar a incidencia de plantas daninhas no solo

Manejo do solo com a cobertura no pós-colheita

O agricultor tem à sua disposição diferentes opções de culturas de cobertura. Entretanto, ele precisa levar em consideração algumas particularidades das propriedades rurais. Geralmente, fazendas localizadas em áreas elevadas, como no Sul do país, estão em regiões frias. Em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e a região Sul do Paraná, é mais comum o cultivo de aveia, trigo ou cevada, que são culturas mais tolerantes ao inverno. Nessas áreas, não é viável o cultivo de uma segunda safra de milho justamente em decorrência do clima.

Por outro lado, o cenário é bem diferente em regiões em que o calor é mais intenso, a exemplo do Centro-Oeste. Nesse caso, passada a safra de verão, o agricultor pode plantar o milho ou algodão safrinha, por exemplo. Uma outra opção, caso deseje melhorar a fertilidade e a capacidade de absorção de nutrientes do solo, é escolher entre braquiária, crotalária, sorgo ou milheto como culturas de cobertura, uma vez que são adaptadas às regiões mais secas e quentes.

“As raízes das plantas cultivadas vão buscar nutrientes que estão a 30 cm ou 40 cm abaixo no solo e trazer esse material para a parte superior, beneficiando o próximo ciclo de soja”, explica Stefaroli.

Outro aspecto interessante é que a cultura de cobertura ajuda a reter uma maior quantidade de água das chuvas e a manter a umidade do solo, além de protegê-lo das luzes diretas do sol. Isso é importante a médio e longo prazo, pois pode diminuir o estresse hídrico na safra seguinte em caso de estiagens e seca.

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Benefícios com a tecnologia

Assim como nas demais etapas da agricultura, a tecnologia também é uma importante parceira dos produtores após a safra de verão. Consultor de uma grande cooperativa no Rio Grande do Sul, Fernando Cirolini atende alguns agricultores que utilizam FieldView™, plataforma de agricultura digital da Bayer, no monitoramento da cultura de cobertura, no período da entressafra.

"Como aqui no sul nós utilizamos mais culturas de inverno, os produtores plantam aveia para não deixar o solo descoberto. Caso a produtividade do agricultor sofra uma redução de uma safra para outra, nós conseguimos verificar, através de mapas, qual foi o tratamento e a cultura utilizados após a safra de verão e ver se isso foi um fator de impacto”, explica Cirolini. 

O FieldView™ permite ao produtor entender se o tratamento feito em determinada área durante a entressafra obteve o resultado esperado. Isso porque é possível correlacionar diversos mapas de uma só vez, como mapas de plantio, de manejo dos talhões de interesse e os mapas de produtividade. Com esses dados na palma da mão, ele decide se será necessário ou não rever algumas de suas práticas agronômicas.

Sabe o que é o FieldView™?

O FieldView™ é uma plataforma de agricultura digital que auxilia o produtor a coletar, visualizar e processar as informações sobre seus talhões, para que a tomada de decisão seja precisa, evitando prejuízos. Curtiu o nosso conteúdo? Deixe seu comentário abaixo, pois a sua opinião é muito importante nós. E você que utiliza o FieldView™, compartilhe a sua experiência. Para mais dicas, siga as nossas redes sociais (@climatefieldviewbr) 😊

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