Como a ciência de dados pode potencializar o monitoramento da fazenda

Por Joseandro Luiz, Gerente de Engenharia América do Sul

Jan 30, 2020

Ser agricultor no Brasil é um desafio. Diariamente, o produtor enfrenta inúmeros imprevistos para manter a sua fazenda em pé, muitos dos quais fogem do seu controle. Para se ter ideia, o Brasil perde, anualmente, cerca de 2,4 milhões de toneladas nas culturas de soja e milho, as maiores no plantio de grãos do País. 

Em termos econômicos, essa conta – que inclui problemas com armazenamento e gargalos logísticos - chega a espantosos R$ 2 bilhões, segundo estudo da Esalq/USP. É necessário, ainda, lidar com condições climáticas adversas, oscilações com o custo de produção - na maior parte dolarizado - problemas mecânicos, entre outros aspectos que colocam a atividade do campo diretamente em risco.

Mas, não para por aí. Outras variáveis, como a incidência de pragas e plantas daninhas,  também podem afetar a rentabilidade daquela propriedade ao final da safra. Nesse sentido, ter informações em um único lugar, que consigam auxiliar os produtores no momento da tomada de decisão, é fundamental para manter níveis elevados de produtividade. Dados, como o histórico de produção, podem ser bons facilitadores no monitoramento da lavoura. 

 

software de agricultura sendo utilizado no monitoramento

Por isso, a agricultura digital e o uso cada vez mais frequente da ciência de dados no campo fornecem aos produtores instrumentos que se tornam indispensáveis, uma vez que contribuem diretamente para amenizar incertezas no dia a dia.

Essas informações são úteis, por exemplo, na hora de realizar o manejo correto da área, nas operações de plantio, durante a pulverização e também na colheita. Utilizar dados para olhar a fundo a característica de cada parte do talhão e tratar a área de acordo com sua real necessidade trazem mais segurança e assertividade em cada etapa dos processos.

Conheça sobre a evolução da pulverização.

Um dos momentos-chave é justamente a escolha da área para iniciar o monitoramento de pragas, ervas daninhas ou doenças, em que é comum a coleta de amostras baseada em "talhões problemáticos", já que fazer o caminhamento em 100% da fazenda é uma tarefa árdua e que requer grande desperdício de tempo.

Mas será que os produtores realmente sabem quais são estes "talhões problemáticos"? É possível ser surpreendido com uma escolha equivocada? Existem talhões mais críticos onde o monitoramento deveria começar? Em caso positivo, quais são eles? São essas dúvidas que a ciência de dados aplicada na agricultura pode ajudar a responder.

O uso da tecnologia na prática

Para acompanhar a evolução da safra, os produtores utilizam dispositivos com alto grau de tecnologia aliados à ciência de dados. Isso resulta em um controle mais assertivo dos níveis de produtividade e do desenvolvimento do grão. Com a Climate FieldView™, plataforma de agricultura digital da Bayer, é possível receber alertas indicando os talhões que potencialmente apresentam algum problema.

Isso acontece por meio da combinação de algoritmos que analisam os mapas do Diagnóstico FieldView™, colhidos por meio de satélite, onde é possível verificar a variação vegetativa em comparação à outras partes da fazenda e a evolução da biomassa por talhão. 

Imagine a seguinte situação: um agricultor tem 25 talhões, de 100 hectares cada, em sua fazenda. Dentro do FieldView™, ele recebe 25 novas imagens do desenvolvimento vegetativo de seus talhões a cada passada do satélite, desde que nenhum deles estivesse encoberto por uma nuvem. Por onde ele começa a sua análise? Será que algum desses talhões precisa de uma maior atenção?

Como mencionado, os algoritmos são os grandes responsáveis por ajudar o produtor que utiliza o FieldView™ a ter maior facilidade em priorizar as áreas que merecem uma visita com urgência, uma vez que o produtor é notificado por mensagem com o talhão que apresenta um menor desenvolvimento vegetativo.

Ao cruzar esses dados, o produtor pode agir exatamente quando for exigido a tomar uma decisão, como no momento da aplicação de um defensivo, na correção de áreas irregulares ou com solos arenosos, no acompanhamento do desenvolvimento de uma nova cultura de cobertura e o seu impacto em safras futuras. Tudo na palma da mão para simplificar a vida de quem trabalha e vive no campo.

Veja mais: Agricultura 4.0

Referências:

https://exame.abril.com.br/revista-exame/agricultura-do-futuro-vai-depender-da-analise-de-dados/

https://www.conab.gov.br/ultimas-noticias/3125-conab-divulga-resultado-da-pesquisa-sobre-perdas-no-transporte-e-armazenagem-de-graos

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